Educação

DF: ESCOLA SEM PARTIDO

Secretário de Educação do DF anuncia que vai perseguir professores em nome do Escola Sem Partido

Em mais uma mostra do alinhamento do prefeito Ibaneis Rocha ao reacionarismo de Bolsonaro, seu secretário de Educação busca articular um acordo para aprovar o projeto de lei do Escola sem Partido ainda este ano.

quarta-feira 9 de janeiro| Edição do dia

Foto: Divulgação/PMDF

Em uma declaração dada no início da semana, o novo secretário de Educação do DF, Rafael Parente, disse que “está planejando ações de diminuição da doutrinação ideológica escolar” para que os alunos tenham “acesso de forma igual a perspectivas diferentes da história”. Em negociações suas com a bancada evangélica da Câmara Legislativa distrital, está sendo articulado um acordo para aprovar o projeto de lei do Escola sem Partido ainda este ano. Além disso, o secretário garante que, assim que a proposta for aceita pelos deputados, fará questão de que a perseguição política aos docentes seja feita sem concessões.

Proposto pela reacionária ex-deputada Sandra Faraj, o PL 1/2015 estabelece diversas restrições ao exercício de um ensino pautado pelo pensamento crítico e a autonomia do aluno. Sob o argumento de garantir uma suposta neutralidade no sistema de educação, a lei dará uma carta branca institucional a campanha de difamação e assédios contra os professores.

Diferentemente do discurso demagógico de pluralismo que seus defensores levantam, os alvos prioritários do Escola sem Partido serão aqueles profissionais que assumem uma posição solidária às demandas surgidas na vida cotidiana dos jovens que trazem suas angústias com as opressões e as condições de vida precária para dentro de sala de aula.

Esse gesto de censura sistemática é mais um sinal de que a gestão do novo governador Ibaneis Rocha (MDB) estará em total sintonia com Bolsonaro em seus ataques à classe trabalhadora. A razão dessa ofensiva generalizada aos docentes reside no fato de terem uma ampla capacidade de dar uma resposta política aos contínuos projetos de precarização e retirada de direitos capitaneados pela burguesia.

É por causa desse caráter estratégico da categoria, alicerçado em seu estreito laço com a juventude trabalhadora brasileira, que o secretário de educação do DF empreende essa perseguição covarde. Sua intenção é, por um lado, minar qualquer polo de resistência contra o programa ultraliberal de Bolsonaro e, por outro lado, pavimentar o caminho para que o governo Ibaneis possa jogar a conta da crise orçamentária nas costas da classe trabalhadora do Distrito Federal.

Nesse cenário, o SINPRO-DF tem papel fundamental e não pode se manter inerte. É preciso que o sindicato utilize sua força para mobilizar comitês de base nas escolas, unindo professores, terceirizados e estudantes. Somente por meio da articulação dessa frente única e não com “rodas de diálogo” entre a direção burocrática do SINPRO e Rafael Parente, como ocorreu na última quinta-feira, é que será possível criar um polo efetivo de luta contra os ataques de Ibaneis e Bolsonaro e romper a paz com os maiores interessados no fim do pensamento crítico nas escolas, os capitalistas.




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