Política

DORIA E A CRACOLÂNDIA

Secretária de Direitos Humanos de Doria pede demissão: "Nós não temos como partilhar disso"

A secretária municipal de Direitos Humanos de São Paulo, Patrícia Bezerra, comunicou na noite desta quarta (24) ao prefeito João Doria (PSDB) que está deixando o cargo. O motivo, como não poderia deixar de ser, trata-se da operação deplorável realizada na cracolândia pela prefeitura em conjunto com o governo do estado.

quinta-feira 25 de maio| Edição do dia

Em reunião realizada nesta quarta-feira, a secretária condenou a ação policial realizada na Cracolândia no domingo, 21. "Não concordo com o que foi feito no domingo, não concordo com ação que foi feita no domingo, foi desastrosa a ação no domingo. Nós não temos como partilhar disso sendo quem somos, Secretaria de Direitos Humanos", afirmou.

"Na reunião que eu tive com vocês aqui (do movimento A Craco Resiste), eu disse assim: se for um dia para optar por um lado, governo ou minoria, nós temos o nosso lado já escolhido", disse em vídeo divulgado pela página A Craco Resiste.

No texto entregue a Dória, Patrícia também expôs as dificuldades da secretaria em promover uma agenda que assegure o respeito aos Direitos Humanos na gestão de Dória: "Diante das dificuldades que tenho enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda de direitos humanos e ao atendimento humanizado à população mais vulnerável de São Paulo, deixo o cargo, mas nunca a convicção em uma cidade que garanta o respeito à pessoa humana".

Secretária de Assistência Social também já havia se afastado por discordância

As afirmações da ex-secretária, assim como o anterior afastamento da vereadora Soninha Francine (PPS), demitida do cargo de secretária municipal de Assistência Social, evidenciam o como a prioridade do prefeito é gerir a cidade em prol da especulação imobiliária e interesses privados passando por cima dos direitos humanos e assistência social. Doria afirmou que a pasta exigiria "demandas" que não estavam dentro de "espírito" de Soninha - que na gravação ao lado do prefeito aparecia visivelmente constrangida.

Em fevereiro, ela chegou a criticar outra ação da Polícia Militar na Cracolândia, que havia terminado em conflito com policiais, dependentes químicos e profissionais de imprensa feridos. Em seu perfil pessoal no Facebook, a vereadora dava as boas-vindas à Patrícia na Câmara de Vereadores.

Secretaria Ocupada

Manifestantes, contrários a operação de domingo e toda a absurda ação repressiva que vemos desde então, ocuparam a sede da Secretaria de Direitos Humanos. Eles reivindicam uma reunião com as secretarias dos Direitos Humanos e da Assistência Social, representada pelo secretário Filipe Sabará, além da divulgação do paradeiro de pessoas que teriam desaparecido depois da ação e o fim da "política higienista do Estado e da Cidade de São Paulo".

Com informações da Agência Estado.




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