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Secretária antiimigrante será a nova Margaret Thatcher britânica?

sexta-feira 1º de julho de 2016| Edição do dia

Ainda que tenha votado pela permanência na União Europeia, Theresa May, secretária de David Cameron, é uma das mais cotadas para assumir o cargo de primeiro ministro, após a renúncia de Cameron e a desistência de Boris Johnson, que dirigiu nos tories (Conservadores) a campanha pelo Brexit, de disputar o posto.

Em outubro de 2015, durante discurso na anual conferência do Partido Conservador, May sintetizou sua prioridade de gestão como secretária de David Cameron: a luta pelo controle das fronteiras no Reino Unido.

"Reduzir e controlar imigração está ficando difícil, mas não há motivos para desistir. Como diz nosso manifesto, ’nós temos que trabalhar para controlar a imigração e colocar o Reino Unido em primeiro lugar’".

Nas palavras dela, a imigração em massa "ameaça" a união britânica.

Como secretária, priorizou a redução do saldo migratório entre os que chegam de fora e os britânicos que deixam o Reino Unido.

Em 2013, chegou inclusive a cogitar, sem sucesso, o fim da regra de isenção de visto por seis meses para brasileiros que visitam o país a turismo.

May começou a carreira política em 1986, mas só entrou no Parlamento em 1997 pelo distrito eleitoral de Maidenhead, na região sul inglesa. Casada e sem filhos, estudou em Oxford.

Se destacou por assumir funções nos gabinetes paralelos do Partido Conservador. Subiu na legenda entre 2002 e 2003 como primeira mulher secretária-geral.

May está no governo há seis anos, sendo um dos mais longevos secretários do Interior do Reino Unido.

Devido ao estilo linha dura no governo, alguns veículos locais a classificam, com um certo exagero, como a "nova Margaret Thatcher".

Entretanto, pelo menos até hoje, May é muito mais discreta publicamente em questões políticas do que a ex-premiê. Estilo, aliás, que pode ser capaz de unir um Partido Conservador rachado após o plebiscito sobre a separação da UE.

O racha teve de um lado Cameron, a favor da permanência, e, de outro, o ex-prefeito de Londres Boris Johnson. May, por sua vez, ficou de fora da confusão. Optou por uma postura mais discreta, o que, segundo especialistas, poderá ajudá-la a obter os votos dentro da sigla.

Pesquisas indicam May com mais popularidade que Johnson –que não disputará, o que deve deixá-la sozinha na briga com o secretário de Justiça, Michael Gove.

O Brexit aprofundou a crise os dois principais partidos do regime político britânico - o partido Conservador, depois da renúncia de Cameron, se transformou num caldeirão de disputas internas, e o próprio Boris Johnson, que encabeçou a campanha pelo Brexit junto a Nigel farage do UKIP, recusou a proposta de assumir o posto de primeiro ministro. Do outro lado, Jeremy Corbyn, que assumiu a liderança do Partido Trabalhista como "renovação à esquerda", está altamente questionado por ter sido derrotado também na campanha pela permanência na UE, ainda que não haja por ora figuras fortes que consigam superar o apoio das bases que Corbyn preserva.




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