CANÇÕES PROIBIDAS QUE ESCUTÁVAMOS NOS ANOS SESSENTA / DITADURA MILITAR /

Se o cantor se cala, a vida se cala [Horário Guarany]

Gilson Dantas

Brasília

quarta-feira 19 de dezembro de 2018| Edição do dia

Tudo que se pode dizer – ou o melhor que posso dizer – sobre a célebre música Si se calla el cantor, de Horácio Guarany é: ouça a música.

Por mais teses que se possa desenvolver sobre aquela música, proibida na nossa geração, nos anos 1970, tanto na Argentina, como no Brasil, a verdade é que ouvi-la e sentir sua força épica, poética e revolucionária é tudo.

Ouvindo a música, tente voltar àquele tempo em que essas músicas eram proibidas, na Argentina e, na ditadura militar aqui. Tente captar que elementos da poesia musical tanto incomodam aos nossos inquisidores de ontem e de hoje; entenda porque a verdade musical, seja ela lírica ou revolucionária é incômoda, desnuda sua localização como opressores e inimigos da poesia da vida.

Esta música – como várias outras afins - cantada pelo então popularíssimo Horácio Guarany, divulgada por Mercedes Sosa dentre outros cantantes, eis uma música para o nosso tempo.

Naturalmente a partir da musicalidade do nosso tempo, confluindo com aquela garra e aquela identidade com os mais explorados, com a qual se cantava Si se calla el cantor naqueles anos.

[Horácio Guarany, de origem pobre, do interior da Argentina, e de nome Eraclio Catarino Rodrigues, viveu de 1925 a 2017, era filho de um índio, lenhador, com uma espanhola. A música aqui citada é do início dos anos 1960; e Horácio, na ditadura argentina, teve que exilar-se, para não ser executado [como ocorreu com V. Jara e Jorge Cafrune]; sofreu ameaças constantes dos militares gorilas. Ao voltar à Argentina escapou por milagre de outro atentado. Foi autor de várias músicas sensíveis, sendo que mais uma delas será objeto da próxima nota no Esquerda Diário]

A canção:

Si se calla el cantor com Horácio Guarany e Mercedes Sosa:

A letra da canção:
Si Se Calla el Cantor

Si se calla el cantor calla la vida
Porque la vida, la vida misma es todo un canto
Si se calla el cantor, muere de espanto
La esperanza, la luz y la alegría
Si se calla el cantor se quedan solos
Los humildes gorriones de los diarios,
Los obreros del puerto se persignan
Quién habrá de luchar por su salario
Que ha de ser de la vida si el que canta
No levanta su voz en las tribunas
Por el que sufre, ´por el que no hay
Ninguna razón que lo condene a andar sin manta’
Si se calla el cantor muere la rosa
De que sirve la rosa sin el canto
Debe el canto ser luz sobre los campos
Iluminando siempre a los de abajo
Que no calle el cantor porque el silencio
Cobarde apaña la maldad que oprime,
No saben los cantores de agachadas
No callarán jamás de frente al crimen
Que se levanten todas las banderas
Cuando el cantor se plante con su grito
Que mil guitarras desangren en la noche
Una inmortal canción al infinito’
Si se calla el cantor calla la vida




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