Mundo Operário

"Se fosse pra ajudar a população eu viria de boa”. "O problema é que os patrões não querem”.

Sobre o papel dos trabalhadores e do Polo Petroquímico do ABC.

sábado 21 de março| Edição do dia

A afirmação que intitula o texto é de um jovem trabalhador do Polo Petroquímico do ABC, ao ser questionado sobre a função de seu trabalho frente à enorme crise aberta com a pandemia do Covid 19. Sua confirmação de que trabalharia para ajudar a população se completa com a afirmação de que o Polo Petroquímico poderia produzir álcool em gel em grande quantidade, mas o problema é que “os patrões não querem”.

Nos dias de hoje, o Polo Petroquímico é composto por 14 empresas de primeira e segunda geração de indústria, como Braskem, Petrobras, Oxeteno, AkzoNobel, Liquigás, Ultragáz, entre outras. O ABC foi o berço da indústria Petroquímica brasileira, em 1954 quando a Petrobrás instalou unidades de refino de petróleo em Capuava, mas foi em 1972 que a primeira central petroquímica iniciou sua produção, marcando o inicio sólido do setor na região. Desde então, o Polo Petroquímico do ABC contribui com parcelas significativas dos impostos recolhidos pelas cidades de Santo André e Mauá, com a produção de produtos como etileno, propileno, polietileno, entre outros, provém 66% da arrecadação de ICMS de Mauá e 36% da arrecadação de Santo André.

Com forte influência no desenvolvimento econômico e social da região, o Polo segue produzindo produtos que não respondem à nossa necessidade atual, já que estamos em meio à uma pandemia de COVID-19. Os empresários certamente responderão que é impossível canalizar a mão de obra disponível para produzir itens de prevenção e que nem recurso há pra isso, afinal de contas, precisaria haver maquinários e procedimentos diferentes para a produção de álcool, por exemplo. Certamente, alegariam que é custoso e que de fato não dá. Mas por que um polo, dotado de várias empresas que atuam há anos no ABC, não teria recursos para atender as nossas demandas?

Possuindo em sua trajetória 10 mim empregos formais, sendo por volta de 2.500 diretos e 7.500 indiretos, o Polo Petroquímico é dotado em sua existência de mão de obra qualificada em todos os marcos, desde o refino de produtos complexos até os reparos estruturais nas plantas, que nos leva a refletir de que nada que existe no polo é estranho à classe trabalhadora, principalmente para os que ali atuam há vários anos. Um exemplo é a equipe de engenharia e operação que manipulam elementos químicos diariamente que e são semelhantes com os que compõe o álcool, que é produzido através de vários processos como por exemplo a hidratação do etileno proveniente do petróleo por meio de fermentação de açúcares e cereais. Salta aos olhos que etileno e derivados de petróleo são presentes em quase todos os processos que integram o Polo Petroquímico e nesse sentido, não faz sentido seguirmos produzindo produtos que não suprirão nossas carências no momento, precisamos de uma saída operária, uma saída onde a classe operária decida o que produzir e como produzir.

Se olharmos para o polo petroquímico analiticamente, fica claro que ali poderia ser uma das maiores potencias de produção de álcool em gel para suprir a população no momento de crise, tendo em vista que boa parte das empresas situadas no polo possuem plantas em outros estados, o que ajudaria a propagar muito mais ativamente as medidas de controle para a crise aberta pelo coronavírus.




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