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COMBATE AO RACISMO

“Se empurrar racista cai”. Estudantes da Unicamp contra o racismo

Se empurrar racista cai”. Estudantes da Unicamp fazem intervenção contra caso de racismo em restaurante Universitário.

Flávia Telles

Coordenadora do CACH - Unicamp

quinta-feira 18 de agosto| Edição do dia

A intervenção ocorreu em resposta ao caso de racismo que ocorreu dentro do restaurante, em que um estudante negro e homossexual foi chamado de macaco por um grupo de três pessoas brancas, o Núcleo de Consciência Negra, assim que soube do caso, chamou pelo facebook uma intervenção chamada “Ocupação Preta”, os estudantes se organizaram e decidiram entrar no restaurante gritando palavras de ordem, e contando à todos que estavam presentes o caso ocorrido, e que exigem que a reitoria tome medidas para coibir atos criminosos como esses.

“A pergunta que não cala, quantos negros têm na sua sala?” foi a palavra de ordem cantada no final da intervenção, e o que aconteceu com o aluno no restaurante universitário é sintomático devido ao fato do negro não ter como lugar natural o espaço de estudante e somente ser vistos para ocupar os postos mais precários de trabalho da universidade, como o dos trabalhadores terceirizados que são em maioria de mulheres negras. Os estudantes acabaram de passar por uma greve que tinha como eixo central a luta pela implementação das cotas étnico-raciais na Unicamp, que junto com a USP, são as únicas universidade públicas do Brasil que ainda não contam com o sistema de cotas étnico-raciais no seu processo de seleção, a greve conquistou um grupo de trabalho sobre o assunto e três audiências públicas para discutir a implementação das cotas.

No início do ano, após a implementação das cotas étnico-raciais na pós-graduação do IFCH - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - ocorreram diversas pichações racistas no instituto, que só pararam a partir da ação dos estudantes, com um mural que exalta as figuras negras num dos prédios do instituto, e um dia dedicado ao combate ao racismo, com diversas atividades. Isso porquê aqueles que gestionam essa universidade preferiram não comentar os casos - e nem tomaram nenhuma atitude -, continuando a ignorar que existe racismo nessa instituição, que não vê o negro como parte dela para além dos postos precários de trabalho. Fato que dá brecha para que atos racistas continuem acontecendo, e os negros dessa universidade continuem vulneráveis a esse tipo de situação.

Mas os estudantes mostraram com sua greve e com diversas intervenções nos espaços da universidade que querem dar um basta em todo o racismo estrutural e que se expressa cotidianamente na Unicamp, e avançar para uma universidade mais democrática, que seja realmente pública, de qualidade e para toda a população.




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