Economia

PRIVATIZAÇÃO DA CRM

Sartori prepara entrega de maior jazida de carvão do país e uma nova Mariana no RS

Caso a CRM seja privatizada, cerca de 1 bilhão de toneladas do minério medido, nas jazidas da cidade de Candiota, serão entregues para a exploração.

domingo 22 de janeiro de 2017| Edição do dia

Foto: Maia Rubim/Sul21

A maior jazida de carvão do Brasil está na mira de Sartori e Temer, isto porque dentre as medidas do pacote de Sartori, que começaram a ser votadas em janeiro e deverão voltar em à pauta da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, esta incluída a votação que derruba a obrigatoriedade do Governo do RS em fazer um plebiscito para poder privatizar as estatais como a CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica) e a Companhia Riograndense de Mineração (CRM).

Caso a CRM seja privatizada, cerca de 1 bilhão de toneladas do minério medido, nas jazidas da cidade de Candiota, serão entregues para a exploração. Segundo o presidente do Sindicato dos Mineiros de Candiota, “fala-se em vender a CRM por 400 ou 500 milhões”. A jazida, porém, vale cerca de 200 bilhões. Os maiores interessados são estatais chinesas, já que o carvão corresponde à 70% da eletricidade produzida naquele país. A jazida de Candiota é uma jazida a céu aberto, que produz um carvão não tão valioso, porém muito fácil de ser extraído. A CRM chegou à ter 3 mil funcionários, hoje são cerca de 440.

A mineração é uma atividade bastante prejudicial ao meio-ambiente, em especial quando se trata de mineradoras privadas ou estrangeiras, cujo interesse é extrair as riquezas minerais do país pelo menor custo possível, gerando catástrofes ambientais como a ocorrida em Mariana (MG) em 2015. No caso de Mariana, a mineradora Samarco ampliou seus lucros cortando gastos com a manutenção das barragens, não dando ouvidos aos trabalhadores da própria mineração.

Com relação à extração de Carvão, os impactos ambientais são em primeiro lugar as mudanças geográficas e nas morfologias dos terrenos, com as explosões e escavações próprias da atividade mineradora. Além disso, a disposição dos lençóis subterrâneos de água pode ser modificada com esta mesma atividade. Outra coisa que pode ocorrer é a poluição de aqüíferos durante a extração, por drenagem ácida, mas isto vai depender do tipo de carvão a ser extraído.

Já para os trabalhadores da mineração de carvão, o principal problema gerado pela atividade são doenças do pulmão. Com relação à utilização do carvão para a produção de energia, a sua queima libera grandes quantidades de Gás carbônico, contribuindo para agravar o efeito estufa, assim como enxofre, responsável pela chuva ácida.

Há processos hoje que permite uma utilização menos danosa ao meio ambiente do carvão como combustível, só que estas tecnologias não são colocadas em prática, assim como uma fiscalização da atividade, porque isto significa mais gastos, o que é incompatível com um sistema de produção que visa sempre o lucro em primeiro lugar.




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