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Sarkozy fica eliminado das prévias internas da direita francesa

Com uma massiva participação, se realizaram neste domingo as primarias da direita francesa (os Republicanos). Sarkozy foi derrotado. O ascenso de Fillon – que irá ao segundo turno com Juppé – é uma mensagem clara pela direita para Marine Le Pen para as eleições presidenciais de 2017.

Juan Chingo

Paris | @JuanChingoFT

segunda-feira 21 de novembro| Edição do dia

Neste domingo se realizou o primeiro turno da primaria da direita francesa – Os Republicanos. Quase 4 milhões de eleitores, muito mais que os 2,6 milhões da primaria socialista de 2011, se deslocaram a votar nas primeiras internas abertas desta formação tradicional francesa. A participação massiva é expressão do desejo de toda uma parte de população (com um peso importante da população mais velha e frequentemente conservadora que caracteriza a França) de terminar com a página política do atual governo de Hollande. A perda de autoridade presidencial com que Hollande finaliza seu mandato – consequência dos seus constantes giros à direita no social, e a nível da segurança, o que chocava cada vez mais com o eleitorado de esquerda, que lhe tirou quase todo apoio, em especial depois da ultima reforma trabalhista – radicalizou nos votantes deste setor do eleitorado.

Neste primeiro turno das primarias, os votantes da direita decidiram que preferem ir mais além do que pela unidade com o centro, como propunha Alain Juppé, candidato que até pouco tempo era grande favorito.

François Fillon, antigo primeiro ministro de Sarkozy, ficou amplamente à frente.

Fillon é uma espécie de Sarkozy austero. Um ultra liberal como Sarkozy, ultra conservador na questão de usos e costumes e até na sua forma de ser (diferente do "bling-bling" sarkozysta, quer dizer, a ostentação da riqueza) semelhante a seu concorrente Juppé, por sua vez com um perfil e tom mais soberanista. Ao confirmar-se como candidato da direita tradicional, para Le Pen se complica a tarefa de atacá-lo como candidato como ‘mundialista’ (ela se apresenta como a líder dos ‘patriotas’), enquanto que na política exterior é tão ‘putinista’ (ref. ao presidente russo) como ela.

Isto significa que as eleições presidenciais já estão resolvidas? Para nada. Pois é questionável ao menos que todos os ‘juppeistas’ acabem por apoiar a Fillon. Haverá uma nova vida independente do centro político? É possível. Já no segundo turno das presidenciais a esquerda a esquerda apoiara a Fillon como o teria feito se o candidato fosse Juppe (que encarnava a seus olhos o antisarkozysmo)? Está para se ver. É que uma candidatura de Fillon pela direita ao mesmo tempo que limita o discurso de Le Pen, se faz mais difícil para os eleitores de esquerda de ir votar neste candidato que se apresenta abertamente como tracherista e antimuçulmano. Seria uma repetição ampliada – mas em uma escala de eleições nacionais – da difícil decisão das ultimas eleições regionais de ter que votar com ‘nariz tapado’ entre as opções do direitista e xenófobo Estrossi e o candidato da Frente Nacional, graças ao qual o primeiro pode ganhar.

É que atrás da ‘reluzente’ dinâmica de Fillon (que passou de ser quarto no começo dos debates televisivos, para obter uma vitória por mais de 15% sobre o segundo) na interna da direita, há uma fragmentação dos eleitorados e uma dificuldade para construir novas maiorias, provas da polarização social que existe na França. Polarização social que não se expressa politicamente a esquerda, apesar do forte movimento social contra a reforma trabalhista dos meses passados (ou só parcialmente detrás da velha figura socialdemocrata Melenchon) já que falta uma nova alternativa independente e revolucionária dos trabalhadores.

São estas mesmas contradições políticas as que poderão dar uma mínima oportunidade a Juppé no segundo turno das primárias da direita do próximo domingo, mesmo se matematicamente (depois de sua ampla vantagem e com apoio de Sarkozy) a vitória de Fillon está quase assegurada.

Tradução: Raphael Mouro




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