TRANSFEMINICIDIO

Sargento assassina garota trans de 16 anos porque "não gosta de homossexuais"

Mais uma vítima de transfeminicídio no país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo. Dessa vez a vítima foi uma garota de 16 anos, assassinada por um sargento da polícia militar que afirma ter cometido o crime por "não gostar de homossexuais".

segunda-feira 17 de julho| Edição do dia

Uma adolescente de 16 anos, transexual, foi mais uma vítima de transfeminicídio no país que mais mata travestis e pessoas trans no mundo. O crime ocorreu na cidade de João Pessoa, no último sábado (8), e o assassino foi um sargento reformado da Polícia Militar da Paraíba, preso nesta terça-feira (11), na cidade de Teixeira, no Sertão paraibano.

O policial, que confessou o crime na delegacia, destilou todo seu ódio e preconceito e disse que “matou por não gostar de homossexual”, segundo informou a própria Polícia Civil.

O assassinato aconteceu em uma praça do bairro Funcionários II, em João Pessoa. De acordo com informações da Polícia Civil, o sargento estava bebendo, quando a adolescente se aproximou dele. O assassino teria então levantado da mesa, sacado a arma e atirado várias vezes contra a vítima, que não resistiu e morreu no local.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, depois de cometer o crime, o suspeito teria fugido da cidade. O sargento foi preso na casa de um parente na cidade de Teixeira, após o órgão receber uma denúncia anônima.

Por ser policial militar, o sargento assassino gozará de privilégios que já conhecemos, e apesar de ter confessado o crime de ódio, foi encaminhado para o 1º Batalhão da Polícia Militar, no Centro de João Pessoa, e, nesta quarta-feira (12), será apresentado ao juiz na audiência de custódia.

A homofobia, que recentemente levou Itaberli Lozaro a morte pelas mãos da própria mãe, e a transfobia, que levou ao assassinato de Laura Vermont (sem que nunca houvesse justiça) e agora dessa garota de 16 anos que teve a vida ceifada, ambas pelas mãos da polícia, se somam aos inúmeros ataques a LGBTs em todo o país, fruto de uma cultura que cultiva o ódio a tudo que difere da heterossexualidade e da cisnormatividade, tornando alvo da violência e da brutalidade centenas de milhares de pessoas homossexuais, bissexuais, gays, lésbicas, homens e mulheres transexuais e travestis. A luta contra todo tipo de preconceito com a população LGBT tem que ser de enfrentamento com a sociedade capitalista e suas regras que castram nossos desejos e quer controlar e dominar nossos corpos e mentes para impedir que sejamos verdadeiramente livres.

Quantas pessoas trans e travestis já foram mortas pelas mãos dessa polícia LGBTfóbica, violenta e assassina? Os números são incertos pois muitos casos não são sequer investigados, são abafados e arquivados pela própria polícia. Além dos crimes de ódio cometidos por fora das corporações, a população LGBT é também alvo constante da violência estatal, que golpeia as trans e travestis de diversas formas. Por um lado, o descaso e o abandono na saúde pública e as tentativas, por parte do governo golpista e seus aliados, de retirar direitos básicos, como o nome social. Por outro, a violência policial, com a conivência dos políticos privilegiados e conservadores.

Devemos nos indignar com casos como esse e nos organizar contra a transfobia em todo o país. Basta de assassinatos e torturas contra transexuais e travestis!




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