Cultura

SARAU VOZES ANTICAPITALISTAS

Sarau Vozes Anticapitalistas: Esquerda Diario entrevista Tayla Fernandes

O Esquerda Diário conversou com Tayla Fernandes sobre a cena de arte na Zona Leste e a iniciativa da construção do Sarau Vozes Anticapitalistas.

sexta-feira 16 de setembro| Edição do dia

ED: Por que construir vozes anticapitalistas na Zona Leste de São Paulo?

Tayla: A região concentra um grande número de trabalhadores precarizados, em sua maioria mulheres terceirizadas, negras e negros, famílias vindas do norte e nordeste batalhar na "cidade da oportunidades", mas somos jogados para as margens onde pouco se tem infraestrutura básica como saúde, educação e transporte de qualidade. Acredito que nos unimos na dor para lutarmos juntos, as demandas são várias, historicamente somos o lado da corda que quebra, então é necessário darmos vazão as angustias e uma candidatura anticapitalista é o que pode nos tirar do assistencialismo eleitoreiro. A perifa não quer favor, quer o igualdade, quer tudo que o capitalismo nos nega a troco de beneficiar os ricos.

ED: Por que em formato de Sarau?

Tayla: As cenas de saraus vem sendo uma forma de manifestação e resistência que leva pra perifa a cultura e conteúdo que nos é negado pelo capitalismo, permite que nós também nos expressemos seja no rap, no som, numa performance ou em recitais, uma verdadeira afronta. Me orgulho de fazer parte disso, de levar nossas idéias de forma criativa, pois somos todos fazedores de arte, do micro ao macro, é a senhora que faz artesanato em pano de prato, o moleque que escreve suas rimas contra a exploração no trabalho, a mulher que sofre com o machismo e desabafa mandando o alerta na música, então nada mais justo do que nos expressarmos e lançar nossa candidata e idéias da forma que lutamos dia a dia pra acontecer, um sarau.

ED: O que você acha da arte na periferia de São Paulo?

Tayla: Como disse arte na perifa é resistência. Coletivo, sarau, grupo musical/teatral que surge hoje vem como forma de expressar e mostrar não só o quanto o capitalismo nos cerceia e ataca, mas o quanto estamos ficando espertos e prontos pra afronta-lo. A arte periférica hoje é a principal voz e conscientizador contra a ideologia capitalista. Temos diversos coletivos que disseminam o respeito e o combate ao machismo, racismo e a homofobia, lógico que não é tudo um mar de rosas, mas a arte hoje faz a perifa experimentar mesmo que doses pequenas do saber e trás a luz no combate à exploração e opressão.

ED: Porque como artista militante você apoia a candidatura de Diana Assunção?

Tayla: Diana é trabalhadora, dirigente sindical e sempre está do lado dos mais precarizados, pude ler os livros que ela tem participação, o "A precarização tem rosto de mulher" é o principal exemplo do que quero dizer, a mina se juntou as terceirizadas e soma na luta pra vencer, a perifa precisa de alguém assim que de fato esteja conosco em nossas lutas e não que apareça só em época de eleição ou pra prestar favor em troca de voto, a zona leste ainda é um bastião do PT, que nos ataca e camufla com pequenas ações de assistencialismo, precisamos romper com isso. Acredito que essa candidatura representa não só uma pessoa, um grupo social ou comunidade, mas sim toda a construção de uma luta unificada da classe trabalhadora e é assim que a Diana faz, por que sabe que cada espaço que ganhamos é uma estrutura a menos pra manter nossa exploração.




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