Gênero e sexualidade

DIREITO AO ABORTO

Sara Winter faz greve de fome contra o direito ao aborto

Após a decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, que descriminalizou parcialmente o aborto até o terceiro mês de gravidez, a youtuber ex-feminista (hoje anti-feminista), ligada ao Partido Social Cristão de Bolsonaro e Feliciano, Sara Winter, faz greve de fome contra a decisão.

Vitória Camargo

Coordenadora do CACH - Unicamp

quinta-feira 1º de dezembro| Edição do dia

Aquela que bate no peito e se diz "curada" do feminismo, que hoje posa ao lado do "mito" (sic) e inimigo das mulheres, Bolsonaro, Sara Winter, está há 22h no Largo da Carioca em jejum e sem dormir, protestando contra a recente decisão do STF, pelo seu "não ao aborto, sim à vida", "contra o infanticídio", pautando-se por argumentos fundamentalistas de que o aborto "vai contra a lei de Deus".

Na votação do golpe institucional que levou Temer à presidência, Bolsonaro reivindicou a ditadura militar e Ulstra, o torturador de mulheres lembrado pela artimanha asquerosa de inserir animais em suas vaginas. A seu lado, conhecido pela proposta de "cura gay" na Comissão de Direitos Humanos e Minorias em 2013, Marco Feliciano tenta explicar os problemas sócio-econômicos na África, como lugar de um povo "amaldiçoado". É ao lado dos setores mais misóginos, racistas, homofóbicos e fundamentalistas que Sara Winter se prosta para protestar contra o aborto.

Enquanto isso, são 19 milhões de abortos realizados clandestinamente todos os anos no mundo. Dentre esses, 70 mil levam a mortes de mulheres, bem como 5 milhões causam mutilações e consequências de procedimentos mal realizados. Esses dados têm classe e, no Brasil, raça. As mortes por abortos clandestinos acometem em sua maioria mulheres negras e periféricas.

Contra os projetos de Escola "sem partido", que na realidade tomam o partido dos Bolsonaros, Malafaias e Felicianos, defendemos a discussão de gênero e sexualidade nas escolas, para que as mulheres possam escolher, assim como a distribuição gratuita de contraceptivos pelo Estado, para não engravidar. Entretanto, para nos levantarmos contra os feminicídios que o Estado comete todos os anos, aborto legal, seguro e gratuito para não morrer.

Para isso, confiamos na força das milhares de mulheres que não são Sara Winter: tomamos as ruas na "Primavera Feminista" em 2015, gritamos por todas elas e contra a cultura do estupro que a mídia alimenta todos os dias em 2016, nos somamos às milhares de mulheres argentinas que gritam e paralisam as fábricas por Ni Una Menos. Que construamos as lutas pelo direito ao aborto e ao nosso corpo junto à resistência aos ataques dos golpistas e do Judiciário, que querem precarizar nossas vidas!




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