CARNAVAL 2019

Sapucaí cerrou os punhos com os olhos marejados

Nesta madrugada a escola de samba Mangueira fez um desfile emocionante. Trouxe para o público as histórias não contadas pelos opressores e exploradores. Dos negros, indígenas e pobres. A história não contada pela História oficial das classes dominantes racistas, machistas e genocidas.

terça-feira 5 de março| Edição do dia

O samba-enredo foi um verdadeiro soco no estômago de tudo que Bolsonaro representa e idolatra: denunciou a barbárie da colonização e dos bandeirantes, grandes ídolos dos militares. Estes, por sua vez, não ficam de fora das críticas ácidas da escola de samba. Um carro alegórico com uma foto com a frase "ditadura assassina" e várias figuras de lideranças religiosas, militares e outros, mitificadas pelo Estado brasileiro como heróis mas que não passam de genocidas opressores.

O desfile foi uma verdadeira aula de história, trazendo figuras indígenas e negras, de lutas e resistências contra a colonização e o Estado, jogadas para debaixo do tapete pela historiografia burguesa, que prefere endeusar a princesa Isabel, infelizmente como a salvadora de escravos.

Tão pouco foi ela quem conquistou a liberdade dos povos negros como também não foi Pedro Álvares Cabral que descobriu o Brasil, pois os indígenas já estavam aqui.

O desfile da Mangueira representou, assim como foi o coice do bode no tanque militar - o maior símbolo do último carro alegórico da Tuiuti, com a Globo fazendo questão de deixar passar batido - um tapa na cara da extrema direita que viu a mitologia de seus ídolos cair por terra.

Para finalizar com chave de ouro, o último bloco do desfile mais parecia um ato com bandeirões de Marielle e várias figuras negras históricas. Bolsonaro e Witzel deveriam ficar preocupados com o que o carnaval vem expressando, com ponto culminante nos desfiles da Tuiuti e Mangueira.

Os ativistas, feministas, indígenas, negros e LGBTs, que Bolsonaro tanto deseja exterminar, mostraram que o pacote reacionário de Bolsonaro, principalmente sua reforma da previdência e ataques aos oprimidos, pode encontrar sérias dificuldades para ser imposto.

CLR James, um revolucionário e estudioso da Revolução Haitiana afirmou que "o único lugar onde os negros não se rebelaram é nos livros de historiadores capitalistas". O desfile da Mangueira veio para denunciar essa falsificação.

É com esse espírito combativo, censurado na história oficial dos capitalistas, coisa que Bolsonaro quer intensificar ainda mais com o Escola Sem Partido, que podemos enfrentar os ataques dos senhores escravistas de hoje. Com a força dos indígenas e negros, de todos os trabalhadores explorados, demonstrada durante o desfile da história do Brasil verdadeiro, é que nós, hoje, podemos e devemos barrar os ataques que Bolsonaro e seus capachos como Witzel e Dória desejam passar em nossas costas. Bolsonaro e os capitalistas encontrarão duras pedras e espinhos em sua empreitada reacionária.




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