Economia

INFLAÇÃO

São os aumentos salariais que fazem a inflação subir?

quinta-feira 14 de julho de 2016| Edição do dia

A proposta de aumento salarial conforme a inflação levada pelas pré-candidaturas anticapitalistas incomodou bastante a direita , queremos rebater os argumentos falaciosos de que são os trabalhadores os culpados pelo aumento dos preços e que deve se seguir lutando pelos aumentos salariais conforme a inflação.

O entendimento de que são os salários os responsáveis pelos aumentos de preços tem sido difundido pelos jornais burgueses e são bastante utilizados pela direita. Essa interpretação tem uma origem liberal, embora alguns setores keynesianos do governo do PT também o defendessem. Esse entendimento tira a ligação fundamental entre economia e política elegendo uma suposta concorrência no “mercado” como fundamental para a decisão dos preços. A visão que buscaremos aprofundar aqui é a ligação entre política e economia para que se decidam os preços.

A visão marxista, defendida pelas candidaturas anticapitalistas, parte do entendimento de que o dinheiro é uma mercadoria especial, que mediará a relação entre valor e preço de todas os objetos trocados. Não iremos aprofundar qual a ligação entre dinheiro e preço aqui, mas o importante é que estejamos atentos que todas as mercadorias a nível mundial cumprem um papel crucial para a burguesia: retomar seus níveis de lucro anteriores a crise, então não só o dinheiro, mas todas as mercadorias serão profundamente afetadas enquanto estiverem sob a mão da propriedade privada.

Como se comportou a inflação desde 2015?

Após o período de crescimento que Lula e Dilma puderam propiciar com a alta demanda global de commodities, e sua política de expansão dos salários, faz-se parecer que realmente os salários cresceram muito, então a conclusão de que foram os salários que empurraram a inflação é facilmente absorvida. Novamente, com a ajuda da mídia e dos patrões, a ideologia liberal pode se alastrar mais rapidamente.

Mas o que a mídia e os patrões não nos dizem é que o principal aumento dos preços foi garantida pelos governos: água, luz, gasolina e diversos outros serviços que são fundamentais tem o controle de sua precificação na mão dos governos, são os chamados preços administrados, que também geram uma pressão sobre todos os outros preços. Os cálculos sobre o impacto do aumento dos preços administrados na inflação variam, entre 60% e 70% foi o peso que esses aumentos dos governos tiveram em toda a inflação, ou seja, dos 11% de aumento, diretamente 6 ou 7% foram causados diretamente pelas decisões dos governos.


A barra azul mostra os preços controlados pelo governo, que de mês para o outro significam aumentos de quase 2%. Fonte: Relatório de Inflação do Banco Central Junho de 2016

O peso dos salários na economia e a dinâmica da crise

A participação dos salários no Produto Interno Bruto sempre esteve perto de de 33% e a tendência no momento de demissões é que essa participação caia. A pergunta que fica é se foi a pequena expansão da participação dos salários no governo do PT (passando de 31 para 35% do PIB em 10 anos) que empurrou o país para crise e inflação ou o buraco é mais embaixo?

No relatório de indicadores do IBGE a queda do saldo de importações e exportações que representam 20% do PIB e a queda da Formação Bruta de Capital Fixo, os investimentos, que também representa algo em torno de 20%, foram as maiores dentro da economia. O peso que essas quedas têm na taxa de lucro de empresários e banqueiros é significativo e pressiona os patrões a tentarem recompor seus lucros, mais uma vez, quem pagará o lucro deles serão os trabalhadores.


Os salários estão dentro do “consumo das famílias” e os investimentos dos empresários estão em FBCF. Fonte: Relatório trimestral IBGE outubro/dezembro 2015.

Essa dinâmica de queda dos lucros que pressionou os governos a darem uma resposta aos empresários e banqueiros. Não será só através de aumento dos preços que se pressionará por uma transferência maior de dinheiro dos trabalhadores para os patrões, como já mostramos acima, mas também através das privatizações que o Esquerda Diário vem noticiando , que tem nos altos lucros dos saneamentos e transportes e válvula de escape que os capitalistas buscam.

Em meio a esse cenário de que os governos estão defendendo os lucros dos patrões e a inflação corrói mensalmente o salário em 1% ou mais, as candidaturas anticapitalistas defendem que o salário seja reajustado conforme a inflação, uma condição mínima de sobrevivência para os trabalhadores e um combate aos privilégios dos políticos e patrões. Os argumentos de que esse aumento significaria a quebra do país desconsideram as enormes taxas de lucro e as vultuosas transferências que já são feitas dos trabalhadores para os capitalistas. A lógica dos ajustes defendida por Dilma e aprofundada por Temer querem quebrar os trabalhadores, queremos dar uma basta nessa situação e mostrar que não há conciliação entre nossas condições de vida e o lucro do patrão.


Peso dos salário no Produto Interno Bruto em 10 anos. Fonte: Blog Brasil - Fatos e Dados.




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