Mundo Operário

TRABALHOS PRECÁRIOS

São Paulo: com aumento da demanda, dobraram as mortes de entregadores no mês de março

Em março de 2018 morreram 22, de 2019, 21. Em 2020 foram 39, no primeiro mês da pandemia, escancarando a precariedade do trabalho dos chamados motoboys, que é aprofundada pelos empresários de aplicativos como Ifood e Rappi.

terça-feira 9 de junho| Edição do dia

Março, o primeiro mês de declarada pandemia e registrado o primeiro caso de coronavírus no Brasil, registrou um absurdo aumento no número de motoboys mortos em São Paulo, chegando a quase o dobro do mesmo mês em 2019. Com as medidas de isolamento social aumentaram os pedidos. O que para uns significou ficar em casa e passar a usar mais os serviços de entrega, para outros passou a ser ainda mais horas de trabalho precário e arriscado, sobre suas motos, levando de tudo e todos os lugares.

A crise econômica agravada pela pandemia aumentou a quantidade de demissões, já que não foram proibidas em nem uma cidade no Brasil, fazendo com que muitos dos novos desempregados recorressem aos aplicativos como Ifood, Rappi e Uber para tentar garantir alguma renda. O resultado? Mais entregas, mais entregadores, medo de contaminação, pouco retorno financeiro... uma série de fatores que fez aumentar em quase 100% o número de entregadores mortos, sem contar os acidentados.

Este número, da prefeitura da cidade, certamente aumenta muito se forem contadas as mortes por Covid-19, pois os empresários dos aplicativos não garantem todos os cuidados necessários para os trabalhadores evitarem se contaminar. Além disso, as taxas são altas, não existem ajudas de custo em casos de acidentes, assaltos etc e, não bastasse, os aplicativos bloqueiam os trabalhadores sem justificativa, uma espécie de demissão.

Mas o mundo tem gritado que vidas negras importam, e importam as vidas negras e trabalhadoras precarizadas. Como disse um entregador ao Esquerda Diário na manifestação antifascista e antirracista deste domingo, essa categoria podem se tornar os “panteras negras” do Brasil e arrancar dos patrões seus direitos e justiça por seus colegas, assassinados pelo descaso dos capitalistas.




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