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Santos suspende contrato de Robinho. Não pelo estupro, mas para não perder patrocinadores

Hoje, após repercussão do vazamento da ligação e de novos áudios vazados com Robinho se comparando a Bolsonaro e dizendo que é perseguido pela Globo, o Santos decidiu suspender o contrato de Robinho até tomar uma decisão final. O que incomoda é que a suspensão é pelo medo de perder patrocinadores e não pelo absurdo do caso em sí.

sexta-feira 16 de outubro| Edição do dia

O Santos não suspendeu o contrato com Robinho por conta do caso de estupro em sí, nem das ligações e áudios publicados pela imprensa hoje (16). O Santos decidiu pela suspensão do contrato de Robinho pelo puro medo de perder dinheiro e pela ameaça de recisão de contratos de alguns de seus patrocinadores.

Se por um lado a decisão do clube da Vila Belmiro é para tentar acalmar os ânimos, por outro, olhar para a decisão de forma sóbria ainda permite ver que a complacência para casos assim seguiria se não fosse a enorme repercussão das declarações de Robinho em torcedores de todos os times do país.

As ligações interceptadas provam de forma cabal que Robinho cometeu o estupro, e o jogador ainda disse na época que dava risada pois a vítima do estupro não sabia o que havia acontecido.

Robinho, e em outro nível o Santos, demonstram seu desprezo total com a vítima do estupro cometido por Robinho, e expõe a forma doentia de como o machismo se manifesta no futebol.

Rodrigo Capello publicou em seu twitter hoje uma lista dos patrocinadores do Santos que ameaçaram rescindir seus contratos com o Peixe caso Robinho permaneça. Kicaldo, Kodlar, Tekbond, Foxlux, Philco, Casa de Apostas e Oceano B2B disseram que quebrariam os contratos, e a Brahma disse que não renovaria caso o jogador permaneça. A Orthopride já rompeu seu contrato.

Vale lembrar que o Santos não rescindiu seu contrato com o jogador, apenas o suspendeu, até que tome uma decisão definitiva.

O jogador, condenado em primeira instância na Itália por estupro, teve divugadas as transcrições de ligações usadas no processo na Itália em que ele diz que estaá “rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu".

Em novo áudio vazado hoje, Robinho diz para um diretor do Santos que é vitima de uma perseguição da Globo, e se compara com Bolsonaro quanto aos ataques dirigidos à ele. Ele chama a globo de grupo conduzido como o demônio, de forma muito similar ao discurso de Jair Bolsonaro.

A decisão movida pelo lucro - ou pelo medo de perdê-lo - , e não pelos fatos

Mais uma vez. A decisão do Santos em suspender o contrato de Robinho, e o quanto está titubeando em romper com ele ou não mostra que de fundo a gravidade do caso em que o jogador do Santos está envolvido não importa, mas sim o que importa para o Santos é se o clube irá ou não perder dinheiro por causa disso.

Até o momento em que não havia páginas e mais páginas de jornais, blogs, páginas de torcidas organizadas e até uma hashtag no Twitter com os dizeres #LevantaORobinho - pedindo para que os jogadores da Série A o recebam nos jogos na base de pontapés - nada disso importava para a Diretoria do Santos.

Não pareceu importar que as decisões do Santos em repatriar Robinho se tratavam de um completo desprezo pela vida da vítima de estupro, e de toda e qualquer mulher que se enfrenta contra a violência de gênero, nem o desconforto das atletas do futebol feminino do Santos, nem de diversos grupos de torcedoras do clube, com o retorno do jogador ao clube. Mas no momento em que as finanças e os contratos com os patrocinadores são colocados em xeque, a postura da diretoria se torna a de buscar colocar “panos quentes” na situação.

É mais um caso que mostra, para os que tentam constantemente isolar o futebol em uma bolha dentro das quatro linhas, de que o futebol e a política, o futebol e a sociedade, seus problemas e contradições, não se separam.




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