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PREMIO NOBEL - COLOMBIA

Santos recebeu o Prêmio Nobel da Paz: uma premiação similar à de Obama?

O presidente Juan Manuel Santos recebeu o prêmio Nobel da Paz 2016 por seus "decididos esforços para terminar com a guerra civil” na Colômbia. Um caso similar à premiação de Barack Obama?

segunda-feira 10 de outubro| Edição do dia

Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, foi premiado hoje com o prêmio Nobel da Paz 2016 por seus "decididos esforços para terminar com a guerra civil” no país, "uma guerra de 50 anos que custou a vida de pelo menos 220.000 colombianos e que desalojou a seis milhões de pessoas", anunciou em Oslo o Comitê Nobel da Noruega.

Vale recordar que o Comitê já entregou o mesmo prêmio a Barack Obama no ano de 2009, despertando fortes críticas, já que o presidente dos EUA mantinha, naquele momento, os ataques com drones no oriente médio e continuava funcionando a prisão de Guantanamo, para citar apenas dois casos que claramente se oporiam ao merecimento do prêmio.

Sobre a premiação de Santos também recaem fortes objeções. O Comitê observou que o prêmio deve ser apreciado como um "tributo ao povo colombiano, que apesar das dificuldades e abusos, não perdeu as esperanças de uma paz justa, e a todos aqueles que contribuíram para o processo de paz". "Este prêmio é também uma homenagem às incontáveis vítimas da guerra civil", indicou.

Os membros do Comitê ignoraram o detalhe de que Santos - como ministro da Defesa de Uribe 2006-2009 e depois como presidente - foi responsável por duros ataques militares em que morreram vários comandantes das Farc, ou por permitir o acionamento de gangues paramilitares que aterrorizavam a população civil.

O prêmio, segundo a entidade, é um claro apoio à decisão de Santos de convidar todas as partes a participar de um amplo diálogo nacional para que o processo de paz não morra depois que, no domingo passado, ganhou o "Não" aos acordos de paz assinados com as Farc em um referendo.

"O fato de que a maioria dos eleitores tenham dito ’não’ para o acordo de paz não significa necessariamente que o processo de paz está morto. O referendo não foi um voto a favor ou contra a paz", disseram a partir de Oslo.

"Este resultado gerou grande incerteza sobre o futuro da Colômbia. Há um risco real de que o processo de paz se paralise e irrompa novamente a guerra civil, o que torna ainda mais importante que todas as partes, encabeçadas pelo Presidente Santos e pelo líder das FARC, Rodrigo Londoño, mantenham o respeito pelo cessar-fogo", disse o Comitê.

As declarações do próprio Comitê que apresenta o prêmio deixam claro que se trata de um apoio explícito que busca manter os acordos de paz após a votação no plebiscito no qual venceu o "Não" para os acordos. Não são poucos os interessados ​​em que não se incluam os acordos assinados em Havana. Depois de mais de uma década de ofensivas contra os guerrilheiros financiados e "aconselhados" pelos Estados Unidos sob o marco do sinistro Plano Colômbia, as FARC se enfraqueceram, mas não foram destruídas. Uma solução puramente militar para a longa "guerra interna" se demonstrou ilusória e a negociação política, acompanhada de pressão militar implacável, se mostrou como o melhor caminho para chegar a uma solução duradoura.




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