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Santos prorroga cessar-fogo bilateral com as FARC

Santos anunciou nessa quinta-feira, 13, que estenderá o cessar-fogo até o fim do ano. Uribe apresentou suas propostas para os acordos. As FARC assinalou que a “Justiça Transicional” não é negociável.

sexta-feira 14 de outubro| Edição do dia

Santos junto ao secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, durante uma reunião no Palácio Nariño em Bogotá. Foto: Reuters

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou na noite de quinta-feira, 13, que estenderá até o dia 31 de dezembro o cessar-fogo bilateral com as FARC e espera alcançar um novo acordo, antes desta data, para acabar o conflito armado de 52 anos depois da justa vitória do “Não” no plebiscito sobre os acordos entre o governo e a guerrilha.

Santos, anunciou a decisão de estender o cessar-fogo em um vídeo publicado em sua conta do twitter após uma série de reuniões com a Igreja, a OEA e representantes do movimento estudantil (que vinham fazendo uma série de mobilizações em apoio aos acordos alcançados por Santos em Havana)

O triunfo do “Não”, ainda que com uma vantagem de somente meio ponto percentual no plebiscito, colocou o ex-presidente Uribe como um dos principais interlocutores para a renegociação dos acordos. Uribe foi o principal impulsionador do “Não” aos acordos com as FARC, após o resultado do plebiscito o presidente Santos teve que arcar com essa nova correlação de forças chamando para dialogar Uribe e o também ex-presidente Pastrana.

Uribe apresentou esta semana os documentos com suas condições para uma renegociação total, que já partem de um ponto onde a afirmativa das FARC parece distante.

Entre os itens mais importantes, Uribe exige a revisão completa da “Justiça Transicional” pelo qual os membros da guerrilha poderiam ser acusados e sentenciados, mas não seriam presos. Uribe exige que tenham penas entre 5 e 8 anos que possam ser cumpridas em centros agrícolas e outros lugares alternativos. Sua proposta é uma ampla anistia para os combatentes rasos das FARC e o julgamento para seus dirigentes. Este ponto foi rechaçado por Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenko”, principal dirigente das FARC que negou de imediato que o ponto da “Justiça Transicional” possa ser reformulado, ressaltando que havia ocorrido um ano e meio de negociações para se chegar em um acordo.

Outro aspecto que rechaça Uribe é o da clausula que dava ao partido político, no qual se converteria as FARC, direito a um mínimo de 5 e um máximo de 10 cadeiras no congresso nacional, além dos resultados das eleições. Uribe pede a supressão dessa clausula em conjunto com o empecilho de apresentação para cargos públicos daqueles membros das FARC que sejam considerados culpados por cometer crimes. Este ponto desarma toda a política da direção das FARC que após a desastrosa derrota de sua estratégia guerrilheira decidiu, há alguns anos, fazer parte do regime político colombiano com um programa de reformas sociais dentro do capitalismo.

Nesta sexta o presidente Santos deverá começar a dar respostas as exigências dos promotores do “Não” no plebiscito, ainda que não seja mais que para anunciar o inicio de uma nova rodada de diálogos, que por enquanto não teve grandes resultados.

O processo esta cheio de simbolismos, como o outogamento do Prêmio Nobel da Paz para Santos, o inicio de negociações com a guerrilha do ELN (que começam no final de outubro) e os pedidos dos Estados Unidos para avançar com os acordos o mais rápido possível. Se trata de distintos gestos que vão à contramão das “altas” exigências de Uribe. Lembrando que o “Não” ganhou com uma estreita margem e que uma posição intransigente que venha a fracassar jogaria toda a responsabilidade em suas costas.

Pode se interessar: Santos, Uribe e o frágil equilíbrio das negociações na Colômbia

No momento ninguém levanta a voz nem se arrisca a sair das renegociações. Tudo se mantém no terreno do diálogo e dos gestos. Mas esta situação não pode se manter por muito tempo. As posições das partes estão ainda muito distantes, e ainda que todos falem de fazer os máximos esforços o clima na Colômbia após o resultado do plebiscito segue sendo de uma grande incerteza, com um presidente “Nobel”, mas débil, e uma oposição (momentaneamente) forte, mas que não parece ter carta branca para avançar sem ter em mente os limites de uma relação de forças que vai mudando a cada passo.

Em profundidade: Vitória do “Não” em plebiscito desata crise política na Colômbia




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