Internacional

GOLPE

Sanders contra o golpe

quarta-feira 10 de agosto| Edição do dia

Um dos principais nomes durante as prévias eleitorais dos EUA, o senador Barnie Sanders, derrotado por Hillary Clinton nas prévias do partido Democrata, declarou preocupação com a situação política no Brasil, “Para muitos brasileiros, assim como para muitos observadores, o controverso processo de impeachment parece mais um golpe de Estado”. Ele também pede seu país adote “uma posição definitiva contra os esforços para remover Dilma do cargo”.

Duas semanas antes de o senador expor sua visão sobre a política brasileira, 40 deputados democratas enviaram carta ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry, expressando preocupação em relação ao processo de impeachment no Brasil. No texto, os parlamentares pediram que o chefe da diplomacia no país evitasse gastos que pudessem ser interpretados como apoio ao governo interino.

O comunicado de Sanders critica o governo de Temer, dizendo que “Substituíram imediatamente uma administração diversa por um gabinete formado totalmente por homens brancos” e também que “O novo governo não eleito anunciou rapidamente planos para impor austeridade, incrementar as privatizações e instaurar uma agenda política de direita”. A solução, para ele, passa por novas eleições, “Precisamos nos levantar pelas famílias trabalhadoras do Brasil e demandar que essa disputa seja resolvida com eleições democráticas”. De qualquer forma, o Departamento de Estado norteamericano disse que não se pronunciará sobre a situação que a democracia brasileira atravessa.

Essas declarações do político democrata mostram como, mesmo no coração do imperialismo, existem setores que conseguem reconhecer o caráter antidemocrático do processo em curso, vergonhosamente defendido e alentado por setores da esquerda.

Conforme já denunciamos aqui, Sanders nunca foi uma opção real para os trabalhadores e setores oprimidos, inclusive apoiando políticas imperialistas dos EUA, sendo que sua posição de chamar voto em Hillary Clinton, que lhe rendeu vaias dos que o apoiavam, durante a convenção democrata, é apenas continuação dessa trajetória. Por outro lado, é preciso perceber que sua pré-candidatura expressou o descontentamento de amplos setores sociais, principalmente de jovens e trabalhadores precários, com a desigualdade.




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