Cultura

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Samba na Praça reprimido pela Guarda Municipal de Alex de Freitas em Contagem

A Guarda Municipal da prefeitura de Alex de Freitas de PSDB em Contagem reprimiu o evento cultural Samba na Praça, proibindo a sua realização. O evento aconteceria na Praça da Glória nesse sábado, e foi impedido de acontecer. Essa ação demonstra mais uma repressão a manifestações culturais na cidade e o caráter racista de tal impedimento. Reproduzimos a seguir notas de repúdio à ação da Guarda Municipal e da Prefeitura da cidade.

domingo 20 de agosto| Edição do dia

Move Cultura, organizadores do evento

Informamos que o evento foi cancelado por decisão da guarda municipal de Contagem, que de última hora se posicionou contrária à sua realização. Até o momento os reais motivos dessa decisão não foram informados para nossa produção.
Toda a estrutura já estava pronta para ser montada conforme demonstrado nas fotografias abaixo. No entanto fomos impedidos pela guarda municipal, que indeferiu o alvará do evento.
Com esta decisão truculenta e sem diálogo, quem perde mais uma vez é a população.

Carl Benzaquen, militante de direitos humanos

Bom dia pessoas!

Textão sim para mostrar quanto os tentáculos fascista estão engendrados na sociedade burguesa e como Contagem consegue ter ainda esse tipo de episodio, inclusive partindo do próprio poder publico.

Ontem, dia 19/08, estava tudo planejado para acontecer o evento "Samba na Praça - em comemoração aos 106 anos de Contagem", que tinha na sua programação artistas com uma grande bagagem sambista como: Letícia Reis, Anderson Oludum, Chedinho e Walison Mauricio.

O evento organizado pela Move Bc (ONG), entidade dirigida pelo meu amigo Rafael Aquino, que há anos produz excelentes eventos como este para cidade, inclusive muitos com o próprio apoio da Prefeitura, como este também era, inclusive nos materiais de divulgação levava as logos institucionais da prefeitura e da FUNDAC (Fundação de Cultura da Cidade).

Atualmente o debate sobre a criminalização do funk e da juventude negra que chegou até ao Congresso, mostrou as faces subliminares que o fascismos/racismo atua, assim como o funk, o samba já teve várias tentativas de criminalização, pelo mesmo motivo velado: o RACISMO.

Ontem, um pouco antes do inicio do evento a Guarda Municipal de Contagem, interviu informando que se tratava da mesma organização do F5 (Festival de Cultura Independente) e que neste evento teve muitos jovens fazendo uso de drogas, e por este motivo o evento "Samba na Praça" estava proibido, mesmo os organizadores tendo avisado com antecedência o poder público inclusive tendo alvará autorizando a realização da atividade. No momento da atuação foi feito contato com o Secretario de defesa social que orientou deixar o evento acontecer, porém mesmo assim a Guarda argumentou que ele não teria autoridade para isso, mantendo a posição verbalizada do veto a atividade.

Gostaria de saber se esse tipo de ação é repetida em outros eventos que não tem historicidade com a pauta racial ou tem público majoritariamente branco. Sabemos a resposta, não é mesmo?!

Este post em rede social, é sim uma provocação aos movimentos sociais, aos partidos e principalmente os gestores públicos atuais, estamos diante de um evidente caso de racismo institucional e perseguição da juventude (que sabemos que não é da branca), afinal essa conduta não é comum em outros eventos e também não se pode supor uma situação baseada em outro cenário, isso é discriminatório e fere nossos direitos constitucionais.

Chamo para reflexão e para o debate os movimentos de luta de Contagem a se posicionarem sobre este lamentável episodio, que alem de prejudicar a cultura e o lazer das pessoas que se programaram para ir, também afetou os artistas, organização e os ambulantes da economia solidaria que fizeram emprego de recursos e tempo nesta atividade.

Gostaria de chamar em especial a OAB Subseção Contagem para acompanhar este debate e auxiliar a organização e os movimentos sociais, no que pra mim é um caso claro violações de direitos constitucionais.

Foto: Move Cultura




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