Sociedade

PÓS TRAGÉDIA

Samarco construirá dique que alagará parte de Bento Rodrigues

Nessa quarta, 21, o governo de Pimentel em Minas Gerais autorizou a Samarco a construir um dique que alagará parte de Bento Rodrigues em Minas Gerais.

Flávia Telles

Coordenadora do CACH - Unicamp

quarta-feira 21 de setembro| Edição do dia

A Samarco, empresa responsável pelo rompimento da barragem de Fundão, no final do ano passado, no distrito de Bento Rodrigues, que deixou 19 mortos e destruiu a bacia do rio doce, vai construir a S4, projeto de construção de mais um dique, que segundo a empresa pode ajudar a conter os rejeitos tóxicos para que no período chuvoso não contaminem mais o rio, mas as consequências desse projeto, com eficácia bastante duvidosa para especialistas, é o alagamento de parte do vilarejo de Mariana, Bento Rodrigues, que já sofreu com toda a destruição no ano passado.

O governo mineiro decretou que a população da área afetada deverá autorizar a entrada da empresa e de agentes públicos nos terrenos para o início dos planejamentos para as obras, evidenciando mais uma vez de que nem as empresas nem os governos querem preservar a vida, o meio ambiente, ou a memória da população. O projeto S4 sequer tem participação de moradores e trabalhadores da região que irá desaparecer graças à ganância da Samarco e a conivência do governo.

O projeto de construção da S4 tinha sido barrado em maio, graças as destruições que poderia causar e porque a Samarco foi flagrada desmatando um trecho de 1,3 km de Mata Atlântica em Mariana, mas mesmo assim o governador Pimentel (PT), autorizou o início das obras, e a remoção de mais de 55 propriedades em mais de 56 hectares, que deve ser alagado, o projeto faz parte do acordo firmado entre as empresas Vale e BHP (donas da samarco) e o governo de Minas Gerais que determina que em 15 anos as empresas invistam apenas 20 bilhões de reais na recuperação dos estragos sociais e ambientais causados pela tragédia, valor que não equivale a 1 ano do lucro líquido das empresas, ou seja, seguem lucrando às custas da vida da população e da destruição do meio ambiente.

As consequências causadas pela Samarco são inúmeras, mortes, destruição da natureza, e precarização da vida da população, e é preciso um plano para conter a destruição que os rejeitos ainda podem causar, mas só os trabalhadores poderão responder até o final aos desafios colocados, nem a Samarco, nem o governo de Pimentel e muito menos o governo golpista de Temer darão uma saída para tragédia de Mariana que possa realmente conter a destruição sem acabar com a vida, o rio, a natureza, o trabalho e a memória de milhões de pessoas. Por isso, torna-se cada vez mais urgente, ainda mais no contexto do governo golpista que só se pronuncia sobre privatização e retirada de direitos, que as centrais sindicais rompam sua paralisia e possam a partir da organização dos trabalhadores, levantar uma forte campanha pela reestatização da vale sob controle dos trabalhadores, para arrancar os rumos das nossas vidas das mãos da empresas que só querem o lucro.




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