GOVERNO BOLSONARO

Salles lamenta pouca margem no mercado de carbono reivindicando liberdade para poluir mais

Para o ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, pouca margem de negociação no mercado do carbono é "atitude protecionista". Enquanto desmatamentos e queimadas aumentam exponencialmente, Salles segue defendendo mais brechas para poluir mais.

terça-feira 17 de dezembro de 2019| Edição do dia

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, lamentou não ter conseguido um acordo em relação ao mercado de carbono na conferência internacional do meio ambiente COP 25, realizado em Madri, na Espanha, nesse mês.

"Nós tínhamos uma expectativa de que houvesse um acordo entre os países acerca da regulamentação do artigo 6º do Acordo de Paris, que é o que dá tangibilidade ao mercado e carbono", disse.

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O mercado de carbono permite que, países que façam parte do pacto pela redução de emissão de carbono e que tenham consumido quantidade de carbono inferior ao estabelecido consigam créditos. Esses "créditos", dos países que produziram menor taxa, podem ser vendidos à outros países. Assim, na prática, os países que reduzem suas emissões, repassam seus créditos à outros que seguem poluindo.

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Para Salles, a falta de acordo quanto às negociatas em torno dos créditos de carbono expõe uma "visão muito protecionista desse mercado, de potenciais tomadores". Para ele, é preciso um mercado mais "livre" para que haja desenvolvimento. A liberdade a qual se refere Salles é na prática o direito de poluir ainda mais em nome da produção e do lucro dos capitalistas.

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O ministro, que já negou o efeito das queimadas da Amazônia que ocasionou uma "fumaça escura" no céu de diversas cidades, que na realidade era um aglomerado de material particulado fruto das queimadas, disse que é importante sua pasta caminhar junto com a da Agricultura e ressaltou a importância do projeto, tramitando no Congresso, sobre pagamento para serviços ambientais.

Na realidade, o "caminhar junto" de Salles é abrir ainda mais espaço para o agronegócio, fomentando o desmatamento e a destruição ambiental desenfreada, garantindo acordos com países imperialistas e transformando o Brasil na "fazenda do mundo". Em um ano de governo Bolsonaro, os dados sobre as queimadas e desmatamento mostram o propósito deste governo, que chama de agricultura o que não é.

Tampouco podemos defender que medidas tomadas pelo "imperialismo verde" se proponham a resolver o dramático cenário ambiental que avança a cada dia, fruto da ganância capitalista. O mercado de carbono e outras medidas supostamente pela "não poluição", na prática não podem criar um cenário de harmonia entre meio ambiente e produção. O cerne da relação predatória com o meio ambiente é justamente a ânsia de lucro de um sistema irracional.




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