Educação

PRIVILÉGIOS CAPITALISTAS

Salário de um capitalista da Kroton Educacional pagaria cerca de 1.000 professores

Ítalo Gimenes

Campinas

quarta-feira 11 de julho| Edição do dia

(Rodrigo Galindo, CEO da Kroton)

Em levantamento realizado pelo Brasil de Fato, salta aos olhos os exorbitantes salários dos maiores executivos do país. É chocante a disparidade entre salários entre trabalhadores e grandes patrões, a exemplo da situação dos professores, que fazem com que a educação pública exista de fato para milhões de pessoas, mas que, de acordo com o que manda a lei do piso salarial nacional para os profissionais da educação básica, o salário é de R$ 2.455,35, para jornada de 40 horas semanais.

A realidade da grande maioria da categoria sequer atinge esse valor, mesmo em estados ricos como São Paulo, enquanto o presidente do maior monopólio internacional de educação, a Kroton-Anhanguera, recebe o quarto maior salário do país: R$ 2,1 milhões. Um gerente, que faz sua riqueza vilmente, mas que é mais valorizado que mil professores, de fato imprescindíveis para educar um estudante.

Dona de milhares de universidades privadas e de ensino precário pelo país, sem direito a permanência, cresceu às custas de parcerias com Estado, tal como nos governos do PT com ProUni e o FIES, que significou o enorme endividamento de jovens, muitos dos que decidem abandonar o curso com medo de não conseguirem pagá-la, sem perspectiva de entrar no mercado de trabalho. É assim que se formou a riqueza, combinada com a exploração de uma larga rede de professores e funcionários.

Dentre esses grandes capitalistas estão também os grandes gerentes de bancos imperialistas, tal como o presidente do Itaú-Unibanco, Santander e Bradesco:

Estes são os maiores salários pagos no país

1º Itaú-Unibanco: R$ 3,4 milhões
3º Santander: R$ 2,4 milhões
7º Bradesco: 1,3 milhão

Não é consciência que suas empresas estão listadas dentre as que recebem maior lucro líquido do país, que não seria possível sem o mecanismo que, junto com outros 9 bancos americanos, suíços, imperialistas, tem direito exclusivo de compra e venda de títulos da fraudulenta dívida pública do país.

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Suas riquezas se provam um verdadeiro saque através de chantagens e imposições políticas para que o Brasil pague religiosamente a dívida pública, que leva cerca de R$ 1 trilhão anualmente dos cofres públicos, mas que ainda assim cresce vertiginosamente. O próprio presidente do Santander resolveu dar “conselhos” para os candidatos à presidência de 2018, para que incluíssem na sua agenda eleitoral ajustes profundos nas contas da saúde e educação, Reforma da Previdência e privatizações. Tem coragem de pedir arrocho para sentar em cima de uma pilha crescente de espólio nacional.

Para atacar na raiz os privilégios e a desigualdade entre esses donos do país, que ganham milhões sem esforço enquanto os que de fato são imprescindíveis para o funcionamento do país vivem na miséria, em primeiro lugar será preciso batalhar em cada local de trabalho e estudo pelo não pagamento da dívida pública. Assim suas riquezas poderão ser usadas não só para avançar no desemprego, como garantir o direito a um salário digno, como o mínimo calculado pelo DIEESE: R$ 3.747,10, quando hoje está em R$ 954.

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Mas também, para que possa existir educação de fato, anulando a PEC 55 que congela o orçamento para educação, a estatização da Kroton-Anhanguera sob controle dos trabalhadores, professores e estudantes, poderá garantir ensino superior para toda a juventude, eliminando o filtro racista e elitista do vestibular.




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