Educação

COMBATE ÀS OPRESSÕES

Saiaço no Matosinho contra a opressão

Livia Tonelli

Professora da rede estadual em Campinas (SP)

quinta-feira 7 de abril de 2016| Edição do dia

Nesta quarta-feira, 06 de abril, ocorreu na Escola Estadual José Maria Matosinho no município de Campinas (SP) um grande “saiaço” em apoio ao professor de geografia da rede municipal de Campinas, Vitor Pelegrin. Conforme já publicamos aqui, o professor foi suspenso por 60 dias do seu trabalho, na Escola Municipal Zeferino Vaz – Caic, por uma ação autoritária e homofóbica da Secretaria de Educação.

A Prefeitura Municipal de Campinas alega que o mesmo trajou roupa indevida no desfile de 7 de setembro em 2015, e que tanto a vestimenta quanto as discussões promovidas no ambiente escolar eram inadequadas. O professor desenvolvia na escola um projeto pedagógico (discutido e planejado com o corpo gestor e pedagógico da escola) contra a homofobia.

Para compreendermos melhor o que está por trás dessa ação é necessário retomarmos o ano de 2015.

Em 2015 a Câmara Municipal de Vereadores do município de Campinas apresentou um projeto de lei que visava criar a “emenda da opressão” veja aqui, aqui e aqui. Este projeto tanto inviabilizava a discussão de gênero e sexualidade dentro das escolas como também criminalizava quem a promovesse. Também impedia que qualquer projeto de lei com este conteúdo fosse submetido naquele espaço. Cabe lembrar que esta emenda estava sendo proposta em meio à necessidade dos municípios elaborarem e aprovarem seus planos municipais de educação.

Diante desse cenário, que expressa o caráter reacionário dos vereadores do município de Campinas e que impacta diretamente na vida das mulheres e LGBT, diversas organizações, coletivos e movimentos sociais saíram às ruas e foram ao plenário da câmera municipal para manifestar seu repúdio a essa medida autoritária e homofóbica.

As discussões e a necessidade de debate sobre questões que envolvem a problemática das opressões são demandadas pelos próprios estudantes. Meninas, meninos, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros cotidianamente relatam casos de machismo, homofobia e racismo. A escola deve ser o espaço de formação de um sujeito crítico que combata toda e qualquer forma de opressão. O objetivo não é impor uma orientação sexual, mas sim construir reflexões e ações que culmine na expressão da livre sexualidade, no reconhecimento da identidade de gênero e no combate a homofobia. Vale lembrar que a escola é laica.

Neste sentido, em apoio ao professor Vitor Pelegrin, professores e estudantes da E.E. José Maria Matosinho vestiram saia e expressaram todo o seu repúdio a homofobia.

Não deixaremos passar nenhuma punição ao professor Victor Pelegrin.
Vai ter discussão de gênero e sexualidade na escola SIM!
#matosinhodesaiacontraaopressao




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