Cultura

Sabotage Vive: Histórico lançamento de disco póstumo

Na madrugada desta segunda-feira, 17, foi lançado um dos discos mais aguardados do rap nacional, Sabotage. O trabalho conta com 11 faixas inéditas, todas compostas por Mauro Mateus dos Santos, o Sabotage, um dos maiores nomes do hip-hop brasileiro, assassinado aos 29 anos, em 2003, com quatro tiros.

segunda-feira 17 de outubro| Edição do dia

Fruto da dedicação por mais de dez anos do coletivo Instituto, dos produtores e amigos Daniel Ganjaman, Tejo Damasceno, Rica Amabis e DJ Cia, o disco foi lançado na plataforma do Spotify e divulgado por Ganjaman através do facebook de forma emocionante. Em noite de “super lua”, Ganjaman postou que: “Foram 13 anos de trabalho para superar, compilar, organizar, produzir e finalizar esse trabalho, sempre respeitando e priorizando a vontade da família e a memória desse grande amigo e eterna inspiração. Esse disco só foi possível pelo belíssimo trabalho de todos os produtores, músicos e MCs envolvidos, em especial meu grande irmão Tejo Damasceno, eterno parceiro no núcleo de produção Instituto. Sem sua seriedade, empenho, bom senso e profissionalismo, esse disco não existiria, nem estaria sendo lançado dessa forma tão apropriada. Mauro Mateus brilha, igual a lua! Obrigado, meu irmão. Você mudou minha vida!”

Entram como produtores associados ainda Quincas Moreira, Tropkillaz, DJ Nuts, Mr. Bomba e Duani. Todos, inclusive os produtores, abriram mão dos direitos autorais em prol da família de Sabotage: os filhos, Thamires e Wanderson, e a esposa, Maria Dalva.

As faixas tem gravações inéditas de Sabotage, assim como alguns trechos remixados que já haviam “vazado” anos atrás no disco independente “Uma luz que nunca irá se apagar”. Para completar o trabalho e fazer a devida dedicatória a memória de Sabotage, foram convidados amigos e músicos que participaram de sua vida, como B Negão, Funk Buia, Dexter, Rappin Hood, Sandrão, Negra Li, DBS e Shyheim, do coletivo americano Wu Tan Chan.

O disco conta com faixas do mais alto nível do rap brasileiro, inclusive a música produzida por Dj Cia, "Quem Viver Verá", com participação do Dexter, e gravada um dia antes da morte de Sabotage. Dexter foi membro do 509-E, um dos principais grupos do rap nacional, e sempre declarou abertamente a proximidade e influência de Sabotage em sua carreira. As faixas mais emocionantes do álbum são a sequência de “Canão foi tão bom” e “País da fome: Homens animais”, ambas reconstruídas de maneira original, onde essa segunda faixa trata do assassinato de Sabotage e também da morte de seu irmão, sempre presente em suas letras, e assim tem a capacidade de emocionar profundamente qualquer fã do rapper.

Além do lançamento, Ganjaman providenciou uma sessão de comentários ao vivo pelo Spotify na noite de segunda-feira, com todos os participantes do trabalho comentando faixa a faixa. O álbum conta com diversos estilos musicais, como o samba, que perpassam o rap, como era do costume de Sabotage. Com esse disco, Ganjaman e os produtores do Instituto, que já eram parte dos maiores nomes do rap, agora fazem história na música brasileira. Sabotage é como uma lenda do rap, é um símbolo que inspira ainda hoje muitos jovens da periferia em se aproximar da arte do hip hop. Sabotage é único, com sua rima fácil, seu flow rápido e sua maneira contundente de transmitir a resistência dos negros e dos pobres, contra toda a exploração de seu povo. Foi isso que tornou Sabotage eterno, com apenas um disco lançado em vida, e agora o trabalho impecável do Instituto acaba de consolidar essa sua eternidade na música brasileira. Sabotage vive!

Link do lançamento: https://open.spotify.com/album/54fqpmy2k6wjUGdPSxN8Me




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