Observatorio

2º BREQUE DOS APPS

Sábado, 25/07: os entregadores vão parar em todo o país!

Neste sábado, 25, entregadores de diversas cidades e estados do país vão parar em defesa de melhores condições de trabalho. Entre as principais reivindicações estão o auxílio e melhores condições frente à pandemia, aumento do valor recebido por Km rodado nas entregas, a extinção dos bloqueios indevidos e fim do sistema de pontuação, que serve para restringir o trabalho daqueles que não aceitam determinadas entregas.

quarta-feira 22 de julho| Edição do dia

Após realizar a mais importante paralisação da categoria no dia 1º de julho, que foi uma das expressões no Brasil dos ares antirracistas vindo dos levantes dos EUA e que também contou com um chamado internacional unificado, os entregadores decidiram por uma nova paralisação em todo o território nacional para o próximo sábado, dia 25.

Essa categoria veio ganhando a atenção nas mídias e redes sociais, devido ao seu protagonismo em serviços essenciais em meio à pandemia, mas também porque esse trabalho que veio se precarizando ainda mais no cenário atual. Trata-se de um trabalho que serve à valorização e imensos lucros de grandes empresas nacionais e estrangeiras, com destaque à Ifood, Uber Eats, Rappi, Loggi entre muitas outras empresas de entregas de comida por aplicativos, mas também de compras, documentos comerciais etc.

Através de uma pesquisa inédita organizada pelo Observatório da Precarização e da Reestruturação Produtiva, uma iniciativa de pesquisadores da área do trabalho do Esquerda Diário e que envolve outros pesquisadores de todo o país, um perfil traçado destes entregadores grevistas aponta suas precárias condições de trabalho e de vida. Se vemos os dados que mostram que se trata de uma maioria negra, que já sofreu diversos acidentes de trabalho e que trabalha mais de 10 horas por dia, é possível entender a magnitude dessas reivindicações que levantam.

Após a forte mobilização do dia 1º, onde em especial em São Paulo chamou muito a atenção os milhares de manifestantes que pararam por uma tarde a principal avenida financeira do país, os entregadores viram as grandes marcas insistirem em sua demagogia de que são empreendedores e parceiros e os interesses em jogo são recíprocos. Nenhuma das suas justas reivindicações foi atendida, porque as empresas se utilizam desse novo modelo de exploração para lucrar e se tornarem imensos monopólios e não estão dispostas a abrir mão dessa localização.

É sintomático também da visibilidade da luta dos entregadores a onda de projetos de lei que passaram a tramitar no Congresso, com setores da própria direita buscando uma carona em meio ao cenário eleitoral que 2020 coloca. Um projeto emblemático é o da Tabata Amaral, filhote da privatista da educação Fundação Lemann, o qual não questiona o marco da ultra-exploração que a uberização impõe aos trabalhadores e pode legalizar esse tipo de relação trabalhista precária, sendo que até mesmo um advogado ligado à uma destas marcas de App disse ver o projeto com bons olhos. Mas aqui cabe a pergunta, quem representaria melhor os entregadores se não eles próprios?

Em um debate importante que reuniu uma das figuras de destaque do movimento Entregadores Antifascistas, o Galo, uma entregadora argentina que participou do 1º de julho em seu país, Ricardo Antunes, uma das principais referências da Sociologia do Trabalho, e Marcelo Pablito, trabalhador da USP e fundador do Quilombo Vermelho, o debate mostrou como é fundamental apoiar a luta desses trabalhadores, pois tratam-se de direitos que deveriam ser assegurados a toda a nossa classe. Se os capitalistas impõem esse modelo de trabalho, a nossa classe ficará mais suscetível a ter seus direitos de conjunto rebaixados, como já é uma ambição de Bolonaro, Paulo Guedes e seus planos de intensificar os ataques que as Reformas trabalhista e da Previdência impuseram. E não podemos esquecer que foi Maia o grande articulador desses ataques, assim como o foi com as discussões em torno da MP 936, onde até mesmo partidos ditos de esquerda e importantes centrais sindicais, como a CUT e CTB, entraram em acordo para reduzir salários e permitir todo o tipo de flexibilização do emprego em nome dos lucros capitalistas.

Assista ao debate:

A luta dos entregadores é a luta de toda a classe trabalhadora brasileira, nesse 25 devemos estar presentes, respeitando as normas sanitárias, e apoiar também nas redes.




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