Gênero e sexualidade

ABORTO

STF rejeita a despenalização do aborto em casos de Zika vírus, ao lado do bolsonarismo e cúpulas evangélicas

Com seis votos contra a vida das mulheres, STF rejeita a petição e se mostra alinhado a Bolsonaro e igrejas, garantindo sempre para que o Estado siga não sendo laico e que as mulheres sigam morrendo por abortos clandestinos.

domingo 26 de abril| Edição do dia

A vida das mulheres segue nas mãos desse Estado que de laico não tem nada. Enquanto o aborto clandestino é hoje a quarta causa de morte materna no Brasil, o governo de Bolsonaro segue consolidado em unidade com as igrejas para garantir que esse crime siga existindo. E para isso, contará com o apoio e ajuda do STF.

Veja aqui: Bolsonaro é conivente com a morte de milhares de mulheres: "não haverá aborto no Brasil"

O Supremo Tribunal Federal, que tenta se mostrar como um poder capaz de resolver a crise atual no governo, entrou em votação sobre uma petição apresentada em 2016 pela Associação Nacional de Defensores Públicos (Anadep), que defende a despenalização do aborto no caso de mulheres infectadas pelo Zika vírus.

Essa votação já entrou e saiu de pautas do STF a pedidos dos movimentos contra o aborto. Agora, em meio à crise sanitária do país, momento de isolamento social, o STF decide pôr em andamento mais esse ataque contra a vida das mulheres.

Veja também: Em meio a pandemia, lutamos por aborto legal, seguro e gratuito.

A votação ainda não acabou, mas já está dada a rejeição pelos 6 votos contrários a petição, aguardando agora os outros 5 votos que serão declarados até o dia 30 de abril.

Enquanto por um lado o STF se coloca como opositor ao governo de Bolsonaro, por outro lado, garante que seja implementada toda e qualquer lei que ataque a vida de toda a classe trabalhadora e segue com o objetivo de garantir a vitória das igrejas e de Bolsonaro no plano que dá continuidade na morte das mulheres por abortos clandestinos, sendo a sua maioria mulheres negras.

Ao rejeitar a petição, o STF demonstra o seu lado reacionário, deixando claro que não se deve ter o mínimo de ilusão nesta justiça burguesa e patriarcal. Autor importantíssimo do golpe institucional, da prisão arbitrária de Lula, pelo sequestro do direito do povo decidir em quem votar nas eleições de 2018, pela flexibilização de leis para privatizar as estatais do Brasil para o imperialismo, jamais estará ao lado dos interesses da classe trabalhadora.

A nossa luta por educação sexual para decidir, anticoncepcionais para não engravidar e pelo aborto legal, seguro e gratuito para não morrer, somente acabará no dia em que as mulheres finalmente conquistarem o direito de decidir por seus corpos, arrancando não apenas a igualdade "formal" (e nem mesmo essa é cedida), mas igualdade perante a vida. Esse Estado que se diz laico, privilegia os interesses das cúpulas das Igrejas, sobretudo de pastores como Silas Malafaia, Edir Macedo. Por isso, lutemos pela separação da Igreja e do Estado.




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