Política

CENSURA

STF censura revista pró-Lava-Jato por denúncia contra Dias Toffoli

Nesta segunda-feira (15) foram notificados os sites Crusoé e O Antagonista, de que deveriam retirar imediatamente do ar a reportagem que fazia referência a e-mail de Marcelo Odebrecht em que fazia menção a Toffoli. Essa denúncia feita pela revista pró Lava Jato faz parte dos métodos de coerção que a Lava Jato utiliza em sua disputa clara com o STF.

terça-feira 16 de abril| Edição do dia

A reportagem intitulada “O amigo do amigo de meu pai”, veiculada pelos sites Crusoé e O Antagonista, foi retirada imediatamente do ar sob pena de multa de R$100.000,00 por dia em que a matéria continuasse no ar.

As notas divulgadas traziam informações sobre um e-mail de Marcelo Odebrecht enviado em 2007 a dois executivos da empreiteira, Adriano Maia e Irineu Meirelles, no qual escreveu: “Afinal vocês já fecharam com o amigo do amigo de meu pai?”. O próprio Marcelo Odebrecht declarou à Polícia Federal que a menção dizia respeito a Dias Toffoli, à época ministro da AGU (Advocacia-Geral da União) e atual presidente do Supremo Tribunal Federal.

Entretanto, o e-mail não fazia nenhuma referência a pagamentos ou situações semelhantes, mas, segundo Odebrecht, a tratativas com a AGU a respeito de hidroelétricas do rio Madeira.

Sob o pretexto de combate a fake news, Toffoli pediu a Alexandre de Moraes que tomasse providências “Autorizando [...] a devida apuração da mentiras recém divulgadas” que teriam por objetivo atingir as instituições brasileiras. Moraes de prontidão atendeu o pedido de seu colega ministro censurando as reportagens que tratassem do assunto.

Ao mesmo tempo que o STF faz essa censuras arbitrárias, as mesmas revistas, principalmente a Crusoé, apoiam Sérgio Moro e a operação Lava Jato, e auxilia nelas participando dos seus métodos como vazamentos de áudio, delações e escutas ilegais, onde à mídia é o porta-voz desses métodos que a operação Lava Jato utiliza através de prisões coercitivas e também arbitrárias como foi a prisão do Lula.

Nisso também vemos que faz parte das disputas entre a Lava Jato e o STF, onde a Lava Jato veio sofrendo derrotas importantes no STF e os as denúncias feitas por estas revistas vieram como resposta a ala do STF que disputa por manter a estrutura do regime vigente da classe política, enquanto a Lava Jato vem com suas ofensivas, como o pacote anticrime do Sergio Moro que entre outras coisas, se for aprovado vai debilitar o próprio STF e fortalecer os escalões intermediários da justiça e a procuradoria, os bastiões da Lava Jato.

Pilar do golpe institucional e do autoritarismo judiciário, que mantém Lula preso arbitrariamente há mais de um ano, o STF toma mais uma medida autoritária para preservar sua máscara “anticorrupção”, buscando esconder que seu compromisso não é com o “combate à corrupção” mas sim com a aprovação das reformas contra os trabalhadores. O discurso de combate às fake news contrasta com a vista grossa que fizeram durante a estapafúrdia campanha de Bolsonaro, baseada sobretudo em fake news disseminadas na redes, que para piorar eram impulsionadas com dinheiro de caixa dois provenientes de mega-empresários.

Toffoli e o STF estão comprometidos, ao lado de Bolsonaro, Paulo Guedes, Maia, Moro e de toda a casta política corrupta do Brasil com a aprovação da Reforma da Previdência. O Judiciário vinha cumprindo um papel de “poder moderador” na política nacional, e agora, com Bolsonaro na presidência, se posta como um colaborador da ofensiva para nos fazer trabalhar até morrer. Tendo isso em vista, seria desastroso para o Judiciário perder sua legitimidade como uma instituição supostamente "limpa". E pelo o que este episódio de censura indica, o autoritarismo da toga vai continuar a todo o vapor fazendo o que for necessário para manter intactos seus privilégios e projetos.




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