Política

COMBATE À CORRUPÇÃO

STF: Depois do golpe, lavando à jato a ficha de seus escolhidos

Depois de meses de mostras de seletividade nas investigações e punições o STF apressou-se em oferecer outra cara ao golpe na véspera da votação do Senado, cassando Cunha e abrindo inquéritos a vários políticos. Votado o golpe, desfez tudo. O que quer o STF e o "partido judiciário"?

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

domingo 15 de maio de 2016| Edição do dia

Como toda a pompa e circunstância de suas togas pretas e salários e benefícios milionários o Supremo ergueu-se como uma força política em todo o processo do golpe. Parte de seu poder vem de uma imagem acumulada de “imparcialidade”. Esta imagem arranhada por uma série de flagrantes inconstitucionalidades para avalizar o golpe institucional tentou ser recuperada na semana final dele, cassando (inconstitucionalmente) a Cunha, depois ter blindado ele para que consumasse os primeiros atos do golpe, abrindo inquéritos contra Aécio e diversos políticos golpistas. Consumado o golpe sumiu o jogo de cena, Aécio teve vitórias para sua impunidade, seguido de Renan, Eduardo Paes e Blairo Maggi. Aos menos para os golpistas a operação Lava Jato está virando uma operação de limpeza, e rápida, de seus currículos.

Aécio, Eduardo Paes, Renan, Blairo Maggi, todos com ficha “limpada”
Em curioso procedimento jurídico, o amigo íntimo dos tucanos, Gilmar Mendes conseguiu a proeza de abrir inquérito e em menos de 24 horas mudar de opinião e deixar Aécio sequer sem investigação. Tratava-se inquérito sobre propinas em Furnas. Curiosa situação, pois o mesmo Supremo acolheu o processo para Eduardo Cunha que teria recebido propinas, mas sequer quis investigar quem os delatores anunciavam como “chefe” do esquema de Furnas, Aécio Neves.
Garantida a impunidade no caso Furnas restava ainda as muitas citações de Aécio na Lava Jato. Menos de 24 horas depois desta reviravolta de Gilmar Mendes, Teori Zavacki considerou que não havia porque manter as denúncias de Aécio na Lava Jato consigo e ]distribuiu o caso para ninguém menos que o próprio Gilmar Mendes -> http://www.esquerdadiario.com.br/Teori-exclui-Aecio-da-Lava-Jato-e-encaminha-processo-para-Gilmar-Mendes].

Na mesma decisão de Teori que resolveu ignorar este “item” da delação de Delcídio do Amaral, o ministro também inocentou de investigações o potencial candidato presidencial do PMDB em 2018, o prefeito Eduardo Paes.

No bojo da operação limpemos os golpistas, no mesmo dia (!) outro ministro do supremo, Fachin começou a limpar a ficha de Renan. O senador e cacique do PMDB, ex-aliado de Dilma, concorrente a artilheiro em denúncias de corrupção se o congresso fizesse um campeonato, uma denúncia prescrita por tempo, graças ao STF, e este enviou de volta à Procuradoria Geral da República, do golpista Janot, processo contra o presidente do Senado e atual vice-presidente do país. Não há prazo para que que a Procuradoria responda nem muito menos para que o STF analise.

O latifundiário, rei da soja, bilionário Blairo Maggi agraciado com o Ministério da Agricultura, teve seu processo por lavagem de dinheiro arquivado pelo ministro Dias Toffoli no dia anterior à votação do impeachment no Senado.

Com singular rapidez vários golpistas estão sendo inocentados ou tendo seus processos adiados. Ainda restam vários citados na Lava Jato, inclusive o poderoso Romero Jucá.

Para onde vai a Lava Jato, o que quer o STF e o “partido judiciário”?

Contrários à onda insuflada pela Globo e toda grande mídia nunca confiamos que um poder de uma casta eleita por ninguém, beneficiária de exorbitantes salários e benefícios combateria a corrupção. Denunciamos como Sérgio Moro foi treinado pelo Departamento de Estado Americano, como a Lava Jato apoiava-se em generalizar desrespeitos aos direitos civis, tal como já acontece em morros e favelas e atender a interesses imperialistas, entre eles acabar com qualquer concorrência no ramo dos navios-sonda. E mais, como a operação Mãos Limpas da Itália que Moro reivindica não levou ao combate a corrupção na Itália, muito pelo contrário.

A rápida inclusão de vários políticos além do PT no rol de denunciados no Supremo na semana antecedendo a consumação do golpe no Senado, dava sinais de que poderia se abrir um processo que se não fosse à la Mãos Limpas, ou seja acabando com todos principais partidos do regime mas garantindo a impunidade, poderia levar a generalizar um pouco e tornar um pouco menos “seletivo” o Supremo.

A opção Mãos Limpas com a eterna impunidade tucana não parecia se configurar, mas agora com esta operação limpeza de ficha de quase todos golpistas o que o Supremo parece indicar é que sequer atingir o PMDB o fará. Acertará um Cunha, um ou outro político além do PT para tentar vender um pouco de imparcialidade, mas seu objetivo por hora parece atingido. Consumar o golpe. Combater a corrupção pouco importa. Como dissemos vários meses atrás, o Supremo e o “partido judiciário” tinha como interesse constituir um governo que fosse duro nos ajustes e funcional ao imperialismo, por hora parece confiar que Temer é o homem para seu trabalho. Caso não for, não precisa sair acabando com os partidos (e quiser pode desfazer o que fez hoje com seu habitual desprezo pela Constituição), basta se quiserem um outro ajustador que meramente Gilmar Mendes e os outros ministros cassarem Temer no TSE. E ato contínuo, o próprio Gilmar Mendes seria responsável por convocar novas eleições ditando regras para a mesma. Ajudando a escolher o ajustador que for mais do agrado do “partido judiciário” Aécio (algum outro tucano) ou Marina.

Os ajustes, o golpe, e não Constituição são a lei suprema do Supremo e seu partido das togas, Ministério Público e Polícia Federal.




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