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PARALISAÇÃO 22M

SINPEEM não constrói o Dia Nacional de Luta e Mobilização em Defesa da Previdência

Hoje dia 22 de Março, o SINPEEM e as outras entidades que compõem o Fórum das Entidades Sindicais no município de São Paulo após uma dura greve de mais de 30 dias contra a Reforma da Previdência municipal não construíram na base das categorias do funcionalismo qualquer mobilização para os servidores se ligarem à esse dia.

sexta-feira 22 de março| Edição do dia

No dia 8 de março, quando Claúdio Fonseca, com o aval dos demais sindicatos do Fórum das Entidades, encerrou a greve do funcionalismo municipal de SP (de forma questionável, pra dizer o mínimo), o fez com o discurso demagógico de permanecer em luta contra a reforma da previdência nacional. Ate agora, às vésperas do dia 22 de março, dia em que as Centrais Sindicais estão chamando de Dia Nacional de Luta e Mobilização em Defesa da Previdência, o SINPEEM, assim como as demais entidades do Fórum, realizou apenas um genérico chamado à luta.

A política da direção do SINPEEM durante a greve de não fazer nada para massificar a luta pela revogação do SAMPAPREV é a mesma em relação à luta contra a reforma da previdência nacional. Tampouco chamou qualquer espaço de balanço da greve dos servidores municipais, capítulo mais recente de uma luta que acontece desde 2016. Em relação ao dia 22 apenas se limitou a compartilhar uma imagem do Fórum das Entidades Sindicais no site do sindicato sem qualquer ação mínima de diálogo em relação a esse dia e ao papel que podem cumprir seus filiados e o funcionalismo nessa batalha crucial que afeta em cheio às mulheres servidoras, maioria esmagadora da categoria de professores que perderão a aposentadoria especial.

O SINPEEM segue a mesma inércia da CUT, central sindical da qual faz parte, ao não construir efetivamente nas bases das categorias de trabalhadores que representa, através de assembleias nos locais de trabalho, a paralisação do dia 22, para que de fato fosse um efetivo e grande dia de luta contra essa Reforma que quer obrigar nossa classe a trabalhar até a morte. Isso porque a política das direções da CUT, nas mãos do PT, era de não ser frontalmente contra uma reforma da previdência. Até à pouco a CUT propunha uma Reforma da Previdência “alternativa” e não podemos esquecer que Haddad demonstrou na campanha presidencial que teria sim ou sim sua própria proposta de Reforma da Previdência. Enquanto o PT aposta em uma inócua estratégia parlamentar, seus dirigentes sindicais falam de “enfrentamento”, mas não fazem nada efetivamente para organizar os trabalhadores nas categorias em que são direção.

Também não podemos confiar no Cláudio Fonseca cujo partido (PPS) apoiou a proposta de reforma de Temer, se omitiu frente a eleição de Bolsonaro no segundo turno, sabendo que sua eleição estaria à serviço de fazer sangrar os trabalhadores, é base aliada do governo do PSDB na prefeitura de São Paulo. Precisamos estar de olhos abertos pois é dessa mesma forma traidora que a direção do SINPEEM dá todos os indícios de como vai agir em relação à luta contra a Reforma da Previdência de Bolsonaro. A falta de qualquer mobilização e organização séria para o dia 22 de março é um exemplo claro disso. Não apenas não chamou a paralisação, como não utilizou sua estrutura para que seus filiados tivessem condições de discutir em suas escolas como fazer parte desse dia nacional de lutas. O SINPEEM poderia ter produzido e enviado materiais às escolas para dar suporte ao debate e a construção da luta contra a Reforma. É importante dizer que tão pouco vimos suas dezenas de conselheiros irem as escolas discutir com a categoria sobre a importância desse dia e da luta estratégico contra o desmonte da previdência.

A direção do SINPEEM e as Centrais Sindicais atuam como freio para que os trabalhadores não entrem em cena nessa luta. Junto a CUT, as demais Centrais, como a CTB seguem na mesma paralisia, num mesmo ritmo de Centrais historicamente patronais, como a Força Sindical e a UGT. Exatamente por isso, a CSP Conlutas dirigida pelo PSTU e a Intersindical, precisam romper com a diplomacia com que vem tratando as grandes Centrais ao não denunciar seu o imobilismo que impõem à classe trabalhadora nessa luta tão crucial.

Em várias escolas nas quais o Movimento Nossa Classe Educação atua as professoras e professores têm discutido a Reforma da Previdência e a necessidade de construção de uma luta massiva contra esse ataque. É evidente para as professoras que é necessário confrontar as direções sindicais para retomar em suas mãos os rumos de nossas lutas, resgatando métodos históricos da luta de classes com paralisações, greves e atos massivos. E não sucumbir à estratégia parlamentar do PT, que quer que a classe trabalhadora espere até 2022 para se enfrentar com os ataques, sem construir resistência real contra as Reformas, mas também do PSOL que não tem atuado no sentido de usar suas cadeiras no parlamento à serviço de mobilizar a classe trabalhadora para forjar uma força social capaz de obrigar as centrais sindicais a saírem de seu imobilismo. Ao seu modo, junto do PT, a atuação parlamentar do PSOL não traz outra perspectiva de enfrentamento das reformas que não a das próximas eleições. É necessário batalhar em cada local de trabalho e dentro das entidades sindicais pela construção de um plano de lutas para realmente enfrentar o governo Bolsonaro e seus ataques!




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