GRÁFICOS

SINDIGRÁFICOS se juntam às patronais gráficas para reduzir salários

O papel de um sindicato é estar ao lado dos trabalhadores, e não junto com a empresa colocando pros trabalhadores o falso dilema de escolher morrer de fome ou de COVID-19.

quarta-feira 6 de maio| Edição do dia

Em meio à dramática pandemia do COVID-19, que até agora já levou milhares de pessoas a óbito, o SINDIGRAFICOS –Barueri, Osasco e região- se aliou com as patronais do setor gráfico e, em diversas empresas, empurrou goela abaixo a redução de jornadas com redução de salários, permitidas pela nova MP 936 do governo Bolsonaro. Em algumas gráficas, demissões foram feitas antes de ser implementada a redução.

Não só não foi feito nada contra as demissões como a decisão autoritária das reduções não passou nem se quer por assembleia, com a desculpa de respeitar as medidas de proteção sanitária que envolve não ter aglomerações. Em diversas outras bases sindicais, onde as diretorias dos sindicatos tem interesse em fazer as discussões e tomadas de decisão de forma democrática com os trabalhadores, as assembleias foram feitas online. Isso significa que não ter tido assembleia foi pura falta de vontade da diretoria.

O papel de um sindicato é estar ao lado dos trabalhadores, e não junto com a empresa colocando pros trabalhadores o falso dilema de escolher morrer de fome ou de COVID-19. Deveria estar preocupado em preservar a vida dos trabalhadores e de seus familiares, sem prejuízo na renda defendendo licença 100% remunerada para os trabalhadores das gráficas que não tem a produção como algo essencial para o combate da pandemia.

O sindicato deveria estar batalhando por isso, para que todos os serviços não essenciais deixem de funcionar ou sejam reconvertidos para serviços de fato essenciais. Mas, pelo contrário, estão fazendo coro com a lógica de rapina dos empresários de que se uma gráfica parar de produzir a outra vai pegar seus "clientes", como se não fosse um absurdo também que esses "clientes" queiram que siga tudo normal e que trabalhadores sejam colocados em risco em qualquer gráfica que seja contratada para imprimir

Para as gráficas que tem a produção vinculada ao combate da pandemia, como as gráficas que produzem bulas de remédio, embalagens de remédio, e materiais informativos sobre o combate a pandemia, o papel do sindicato é de organizar os trabalhadores para garantir salubridade no trabalho, com EPIs e com testes nos funcionários. Se a produção for pouca e a patronal decidir reduzir a jornada, que o sindicato exija que seja feito sem redução de remuneração.

A diretoria do SINDIGRAFICOS não se deu ao trabalho nem de exigir das empresas que estão dando a justificativa de estar mal das pernas para atacar os trabalhadores que provem o que dizem e mostrem no fino sua real situação financeira, e o patrimônio de seus acionistas, para saber para onde foi o dinheiro gerado com o suor dos trabalhadores.

É importante colocar que a MP 936 ,aprovada pelo governo Bolsonaro (apoiado pelos militares) e pelo legislativo de Rodrigo Maia e Alcolumbre, não garante estabilidade como prometido, mas apenas uma multa em caso de demissão durante o prazo estabelecido da redução mais o dobro de tempo durante a volta a jornada normal.

A MP 927, aprovada na mesma semana da 936, reduz a multa rescisória de 40% para 20% durante a pandemia, e por isso, a multa em caso de demissão segue mais barato do que mandar embora em tempos normais.

Com diretorias sindicais desse tipo, mais do que nunca os trabalhadores precisam se organizar no chão de fabrica, pela base, para enfrentar os ataques dos patrões que a MP936 permite, e preservar as suas vidas e de seus familiares da COVID-19.




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