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Russiagate: Trump sabia de antemão sobre a reunião com os russos

O ex-advogado de Trump, Michael Cohen, assegurou que o magnata nova-iorquino estava a par da reunião com uma advogada russa que tinha informações sobre Hillary Clinton, durante a campanha eleitoral.

sexta-feira 27 de julho| Edição do dia

O russiagate traz novidades a cada dia, e Trump aparece cada vez mais no centro da trama que havia terminado com a ingerência da Russia nas eleições presidenciais de 2016.

O ex-advogado do atual presidente, Michael Cohen, assegurou que Donald Trump soube de antemão da reunião celebrada durante a sua campanha presidencial por membros de seu círculo próximo com uma advogada russa que supostamente conhecia as ‘roupas sujas’ de Hillary Clinton, obtidas pelo Kremlin.

Essa reunião, em junho de 2016, com a advogada russa Natalia Veselnitskaya participaram o filho maior de Trump, Donald Trump Jr.; o assessor e genro de Trump, Jared Kuschner, e o então chefe de campanha de Trump, Paul Manafort.
Tanto Trump quando seu filho e sua defesa negaram que o então candidato e agora presidente estivesse informado do dito encontro quando o jornal americano The New York Times sacou à luz esta reunião, um ano mais tarde.

“Não havia nada que contar. Foi uma total perda de 20 minutos, o qual foi uma pena”, disse Trump Jr. sobre a reunião em uma entrevista para a rede Fox News.
Agora, porém, Cohen assegura que Trump sim sabia de antemão da reunião, e ainda que não tenha provas disso, está disposto a declara-lo ante o fiscal que investiga a trama russa, Robert Mueller, como informaram a CNN e a NBC.

A nova revelação terminou por enfurecer Trump, que já tinha esculachado um áudio seu vazado por Cohen para a CNN, em que ele aparecia falando sobre um pagamento a uma ex-modelo da Playboy para comprar seu silêncio durante a campanha eleitoral, sobre uma relação que haviam tido.

Na manhã desta sexta-feira (27), Trump expressou sua fúria contra o fiscal Mueller, os democratas, os meios de comunicação e disse não estar a par de nenhuma reunião.

Os Twitters do magnata presidente dos EUA dizem:

“Cheguei de volta para Washington ontem de noite depois de uma emocionante reabertura de uma grande usina siderúrgica dos EUA em Granite City, Illinois, apenas para ser recebido com a ridícula notícia que o altamente conflituoso Robert Mueller e a sua gangue de 13 irritados Democratas obviamente não consegue encontrar uma trama. A única trama com a Rússia foi a com os Democratas, então agora eles estão olhando para meus Tweets (junto com 53 milhões de outras pessoas) – a manipulada caça às bruxas continua! Quão estúpido e injusto para o nosso país... e que as ’fake news’ não desperdicem meu tempo com questões estúpidas, NÃO, eu NÃO sabia da reunião com meu filho, Don Jr. Isso soa para mim como alguém tentando inventar histórias para tirar a si mesmo de um congestionamento não relacionado (taxís, talvez?). Ele até manteve o advogado de Bill e da torta da Hillary. Poxa, eu espero que eles tenham ajudado ele a fazer a escolha”.

Cohen, que faz algum tempo havia chegado a decisão de que estava disposto a receber um tiro por Trump, vem mudando suas preferencias aceleradamente a medida que se conhecem os conteúdos dos milhares de arquivos que o FBI aprendeu em seus escritórios há alguns meses que podem destruir mais de uma carreira política. Foi assim que Cohen insinuou no início do mês que colaboraria com o fiscal Mueller ao afirmar que deve lealdade para “sua família e seu país” e não ao mandatário.

Pouco depois se soube que Cohen tinha em sua posse gravações de conversas com Trump que havia gravado em segredo, e esta semana vazou uma delas em que ambos falavam sobre um pagamento de suborno para uma ex-modelo da Playboy para silenciar um alegado caso.

A reunião com a advogada russa na Trump Tower (a Torre Trump) em Nova York, se converteu em uma das peças chave da investigação sobre a trama russa, pela qual Trump Jr. teve que comparecer ante aos comitês do Congresso que investigam os presumidos laços entre o Kremlin e a campanha do magnata.

A declaração de Cohen chega no piro momento para Trump, depois de haver sido muito questionado pela reunião que teve com Putin em Helsinki, na qual rechaçou de bate-pronto que a Rússia havia tido alguma intromissão nas eleições, algo que depois seus porta-vozes tiveram que qualificar. De frente à campanha impulsionada centralmente pelos democratas e por uma parte dos republicanos, que chamaram de traição o conteúdo da sua reunião com Putin, Trump redobrou a provocação e disse que ia convidar o presidente russo para Washington. Este último ato terminou com a paciência dos próprios republicanos e levou ao chefe do congresso Paul Ryan a dizer que nesse caso o Parlamento negaria o convite do presidente russo. A fratura estava exposta e Trump teve retroceder em sua intimidação, dizendo que adiaria o convite para o próximo ano.

Todo o escândalo tem de fundo as próximas eleições no meio do mandato, na qual os democratas tem intenção de retomar o controle da câmara baixa. Se bem o rombo relativamente estável da economia estadunidense é um alívio para Trump, os legisladores e candidatos republicanos em todo o pais não querem colocar as mãos no fogo por um presidente que acumula acusações contra si e a quem o pedido de impeachment persegue cada vez mais de perto.




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