Cultura

LONGA METRAGEM DE "A REDOMA DE VIDRO"

Romance de Sylvia Plath ganhará adaptação dirigida por Kirsten Dunst

A atriz Kirsten Dunst, que estreou no cinema em seu memorável papel de “Entrevista com o vampiro” e se tornou célebre por interpretações como as de Mary Jane na trilogia do Homem-Aranha e Maria Antonieta no filme de Sofia Coppola, anunciou que irá estrear como diretora de longas-metragens com a adaptação do romance de Sylvia Plath.

Fernando Pardal

@fepardal

sexta-feira 22 de julho de 2016| Edição do dia

Sylvia Plath teve uma carreira e uma vida breves, porém que marcaram decisivamente a história da literatura americana. Publicou em vida apenas o livro de poemas “Colossus and other poems” e, sob pseudônimo de Victoria Lucas, o romance veladamente autobiográfico “The Bell Jar” (traduzido no Brasil como “A Redoma de Vidro” e em Portugal como “A Campânula de Vidro”), no ano de 1963.

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Em 1964, Plath morre precocemente, se suicidando aos 30 anos de idade. Em seu romance, que foi publicado com o nome da autora apenas em 1967, ela relata o seu primeiro episódio de uma grave depressão. Em meio à sua luta surda e solitária pela sobrevivência psíquica, Plath relata por meio de seu alter ego ficcional a mediocridade da mentalidade americana e a triste sorte de ser uma mulher em uma sociedade como aquela.

Mesmo vindo de uma família com condições financeiras boas, tendo estudado em uma universidade, alcançado a fama através de sua brilhante escrita, Silvia sentia profundamente o peso sufocante de uma sociedade hipócrita que escondia por trás da fachada forçosamente alegre em pleno boom do pós-guerra. As páginas de seus diários, que foram gradualmente publicados (com exceção de um volume destruído por seu ex-marido Ted Hughes para que não fosse lido pelos seus filhos posteriormente), revelam a sensibilidade de Silvia atormentada por esse mundo.

Em 1966 seu livro póstumo “Ariel” foi publicado, não da forma como Silvia o havia organizado, mas da forma como Hughes o editou. Milhares de mulheres descobriram na voz de Silvia uma expressão de sua subjetividade, e ela foi transformada num ícone literário em meio ao ascenso da segunda onda do feminismo. Isso, somado a seu suicídio precoce e as controvérsias envolvendo seu espólio literário, tornaram a figura de Plath uma espécie de mito no imaginário da literatura americana. Diversas autobiografias com visões muito distintas da autora foram publicadas.

Ontem, no dia 20, o site “Deadline” publicou que Kirsten Dunst irá dirigir o longa-metragem baseado no romance de Plath. O roteiro foi escrito em parceria por Dunst e Nellie Kim, e o papel da protagonista será feito por Dakota Fanning. É a segunda adaptação de “A Redoma de Vidro” para o cinema: a primeira foi dirigida por Larry Peerce em 1979.




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