ROGER WATERS CONTRA A DIREITA

Roger Waters e sua tour expõe a ferida do golpe: Marielle e Mestre Moa, Presentes!

A tour de Roger Waters, ex-Pink Floyd, colocou o dedo na ferida do golpe: contra o avanço da extrema-direita, da figura de Bolsonaro, revive nossos mortos Marielle Franco e Mestre Moa. A luta contra Bolsonaro, o golpismo e as reformas continuará pra além das eleições e de sua tour.

domingo 28 de outubro| Edição do dia

A tour de Roger Waters, ex-Pink Floyd, foi marcada por duras críticas ao avanço da extrema-direita no cenário político mundial. No Brasil, o ultra-reacionário Jair Bolsonaro foi duramente criticado nos efeitos e projeções de imagens que dão um tom bastante político e à esquerda para o espetáculo.

Em São Paulo, Waters inaugurou sua tour fazendo uso da #EleNão, que marcou o período eleitoral como um amplo rechaço à Bolsonaro e tudo que representa. O país foi tomado por manifestações massivas no primeiro e segundo turno, fomentado principalmente pelas mulheres contra o machismo gritante de Bolsonaro. Também fez uma lista projetada em um telão colocando como neofascistas diversas figuras, incluindo Trump e Bolsonaro. A resposta ao sua manifestação política gerou ampla repercussão nas redes, incluindo vaias no show por parte de setores bolsonaristas presentes.

Roger continuou sua tour mantendo o tom político e crítico à figura de Bolsonaro em diversos outro Estados. No Rio de Janeiro, Waters tocou no que pode-se chamar de a "ferida aberta do golpe": o assassinado da vereadora do PSOL, Marielle Franco. Alvejada de tiros em março deste ano, Marielle e seu motorista Anderson, faleceram num brutal ataque que até hoje permanece sem respostas. Marielle era ativista, mulher negra e da periferia, notoriamente conhecida por denunciar a violência policial e militar nas favelas cariocas. A morte de Marielle foi um fato internacional, que a partir de então colocou em cheque para a população carioca a Intervenção Federal no Rio sob ordem de Temer.

"Eu vou contar uma história agora, a história sobre a morte de Marielle Franco. Marielle continua com a gente em nossos corações". Waters convidou familiares de Marielle para subir ao palco

Morto com 12 facadas, Mestre Moa do Katende foi violentamente atacado pelas costas por um bolsonarista após uma discussão de bar. O capoeirista, que havia declarado voto em Fernando Haddad, foi assassinado por divergências políticas, gerando uma imensa revolta. O palco de Waters em seu show na Bahia foi preenchido com uma homenagem e mensagem de resistência sob a figura de Mestre Moa.

Em seu último show na cidade de Curitiba, um dia antes das eleições do segundo turno, Roger Waters havia sido ameaçado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de ser preso caso fizesse manifestações políticas. É proibido qualquer tipo de manifestação política após as 22 horas. Mesmo assim, em seu último show Waters não deixou se se colocar: nos últimos 30 segundos que faltavam para as 22 horas, ele finalizou com sua marca. O telão mostrou para 41 mil pessoas a seguinte mensagem: "Nos disseram que não podemos falar sobre a eleição depois das 10 da noite. Temos 30 segundos. Esta é nossa última chance de resistir ao fascismo antes de domingo. Ele Não! São 10:00. Obedeçam a lei". Veja o vídeo abaixo:

O judiciário golpista, que nos últimos dias aplicou uma verdadeira caçada à todos que se organizavam contra a candidatura ultra-reacionária de Jair Bolsonaro, invadindo universidades, recolhendo materiais e impedindo manifestações políticas de repúdio à Bolsonaro, como o caso escandaloso da UFF, onde juízes e policiais foram até mesmo na casa dos estudantes. Nessas eleições, descaradamente manipuladas por este mesmo judiciário, que prendeu Lula arbitrariamente, sequestrou mais de 3 milhões de votos através da biometria e que apoiado na Lava-Jato, criou condições favoráveis possibilitando praticamente que o resultado fosse digitado pelas mãos de juízes.

É preciso construir uma força real que seja capaz de combater Bolsonaro e toda seu plano de governo ultra-neoliberal, à serviço de atacar os trabalhadores em nome dos interesses da burguesia. Para isso, é necessário que sejamos milhares de comitês de luta por todo o país, formado por trabalhadores, jovens, mulheres, negros, LGBTs, que se mobilizem e combatam Bolsonaro, o golpismo e as reformas.




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