Política

MAIA NO RODA VIVA

Rodrigo Maia: sustentando Bolsonaro em nome das reformas econômicas contra trabalhadores

Na noite desta segunda (3), Rodrigo Maia, Presidente da Câmara de Deputados, foi o convidado do Roda Viva, na TV Cultura. Ele defendeu o golpe de 2016, os ajustes em nome de pagar a Dívida Pública, e deixou claro que sustenta Bolsonaro no Congresso em nome do avanço das reformas contra os trabalhadores.

quarta-feira 5 de agosto| Edição do dia

Rodrigo Maia, convidado do Roda Vida nesta segunda (3), mostrou com toda a clareza que está sendo parte importante de sustentar Bolsonaro no governo neste momento de “trégua”, e tudo em nome de avançar com as agendas de ataques econômicos aos trabalhadores.

Maia falou de diversos assuntos, dentre eles o Golpe Institucional de 2016, do qual disse não se arrepender do seu voto. Falou também sobre o medo dos gastos públicos, e a necessidade do Congresso não perder o prumo dos ajustes fiscais, em nome do lucro dos capitalistas, e da Dívida Pública, além de falar sobre o impeachment de Bolsonaro, e sua sucessão na Câmara.

Mas, definitivamente, uma das partes mais importantes da entrevista foi Maia deixando claro que sustenta Bolsonaro em nome da agenda de ataques econômicos. Num primeiro momento ele deu uma declaração que por si só é absurda, e olhada de fundo, mais ainda.

"Precisamos voltar a olhar o brasil como a gente tava olhando antes da pandemia", disse Maia. O que no fundo carrega essa frase? Ele mesmo explicou: a necessidade de não perder de vista o ajuste fiscal,os cortes de gastos públicos e o pagamento da Dívida Pública.

"Espero que a gente não perca como objetivo a manutenção do teto de gastos. De onde vai vir investimento? Do setor privado, que quer ajuste fiscal, teto de gasto, e nova política ambiental."

Rodrigo Maia não pode, em momento algum, ser isentado de suas responsabilidades frente à essa crise sanitária. Sua defesa do teto de gastos é parte disso. A PEC, que mantém congelados os gastos públicos até 2036, arrancou R$ 9,5 bilhões do orçamento do SUS, e é parte importante da situação que vivemos hoje, com falta de leitos, falta de médicos, falta de EPIs e de insumos.

Maia demonstrou ao longo da entrevista seu profundo acordo com a pauta econômica de Bolsonaro, e sua vontade de acelerar as reformas e manter os ajustes que fazem os trabalhadores pagarem o custo da crise. Opositor - no discurso - ao Bolsonaro, mas sempre convergente em atender os interesses dos capitalistas.

A necessidade de cortes de gastos que Maia fala, na prática, vai significar cortar coisas como o próprio auxílio emergencial, em meio a um cenário de crescente desemprego. O próprio Maia sinalizou que não é possível mantê-lo por muito mais tempo, porque poderia prejudicar o casamento do Congresso com o teto de gastos e com o pagamento religioso da Dívida Pública.

Maia deixou bem claro também o seu papel em sustentar Bolsonaro no Congresso. Perguntado sobre os mais de 50 pedidos de impeachment, ele disse que nem abre e nem recusa, porque não considera que existam razões para abrir, e por que se recusar, abre precedente para opositores recorrerem e obriga a Câmara a ter que pautar os processos.

Ou seja, ele evita deixar que a questão entre na pauta, e segundo ele, em nome de discutir o que o Brasil “precisa”, que para Maia, hoje são as reformas e a sequência nos ajustes para não perder de vista salvar os empresários em meio à crise. A única razão pela sustentação de Bolsonaro hoje, para Maia, é manter essa “estabilidade instável” do presidente em nome dos ataques econômicos aos quais Bolsonaro e seus opositores institucionais do Congresso, STF e Governadores, convergem plenamente.

Maia, vale lembrar, foi parte importante também da aprovação das MPs de Bolsonaro, autorizando cortes de salário e redução de jornadas de trabalho e suspensão de contratos, medidas que foram duros ataques aos trabalhadores durante a pandemia, e que colaboraram para que em diversos lugares tenham se implementado elementos da reforma trabalhista que até então não tinham sido postos em prática. Quando se trata de atacar os trabalhadores, Maia e Bolsonaro estão em sintonia firme.

Por uma saída que não deposite confiança em nossos carrascos

A entrevista de Maia reforça a necessidade de que hoje, para que possa haver qualquer tipo de resposta à essa crise econômica, e também à sanitária, e ao negacionismo de Bolsonaro, que atenda aos interesses dos trabalhadores, é preciso apostar em saídas que não depositem nem nossa confiança nem nossas energias em atores como Maia. Afinal, tanto ele, quanto outros atores institucionais do regime querem, no fundo, conseguir avançar com uma agenda de privatizações, ataques aos servidores, às condições de trabalho, e à vida da grande maioria da população, em nome dos interesses dos capitalistas.

Por isso dizemos que o “Fora Bolsonaro” não é suficiente. Que é necessário apontar nossos canhões também para os militares, dizendo “Fora Bolsonaro e Mourão”, mas sem depositarmos confiança no Congresso e no STF como aliados, que é o que infelizmente parte da esquerda brasileira hoje faz, confiando em “frentes amplas” que abarcam todo o tipo de direitistas e golpistas.

Nossa saída precisa ser independente, e apostar na classe trabalhadora enquanto sujeito de arrancar dali Bolsonaro e os militares, mas também todas as consequências que caem sobre as costas dos trabalhadores desde o golpe de 2016, como as reformas trabalhista e da previdência. Se apoiando na força de luta que os entregadores demonstraram nos seus dias de mobilização por exemplo.

Por isso defendemos batalhar por uma resposta onde sejam os trabalhadores que decidam os rumos do país e as soluções para a crise. Onde possam discutir e propor alternativas tanto para a crise sanitária quanto para a crise econômica, e fazendo com que sejam os capitalistas que paguem por essa crise, e não os trabalhadores. Nós levantamos a necessidade de essa resposta ser uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que desenvolvemos mais aprofundadamente neste texto.

Basta de confiar nosso enfrentamento contra Bolsonaro naqueles que já foram nossos carrascos antes, e que serão novamente se deixamos que cresçam no enfrentamento com o Governo. Precisamos de uma saída nossa.




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