Gênero e sexualidade

ELEIÇÕES CONGRESSO

Rodrigo Maia é a cara dos capitalistas para atacar as mulheres, especialmente as negras

Favoritos para vencer a disputa pela presidência das suas respectivas casas (Câmara de Deputados e Senado), o deputado Rodrigo Maia (DEM) e o senador Renan Calheiros (MDB) são exímios políticos fisiológicos e mestres na politicagem corrupta tradicional.

sexta-feira 1º de fevereiro| Edição do dia

Maia assumiu a presidência da Câmara dos Deputados em 2016, após a renúncia de Eduardo Cunha. Assumindo a presidência da casa, Maia precisou imediatamente dialogar com o movimento de mulheres, que na prévia da renúncia enfraqueceu fortemente a figura de Cunha ao organizar protestos por todo o país contra o projeto de lei 5069, que dificultaria o aborto legal em caso de estupro.

Por isso, nas primeiras semanas de seu mandato, Maia se reuniu com representantes do movimento de mulheres e LGBT, e logo após, em entrevista já como presidente, se declarou contrário à legalização do aborto em casos além dos que a lei já abarca: “A legislação brasileira já avançou em relação ao aborto e já atende, do meu ponto de vista, de forma correta o que precisa atender”. Com esse pronunciamento, Maia referendou que milhares de mulheres - em sua maioria negras - seguissem morrendo todos os anos por abortos clandestinos, abençoado por Dilma, na época presidente, que rifou em acordos com o DEM de Maia, com o Vaticano e com o pentecostalismo a histórica reivindicação de legalização do aborto.

Além desse tema, Maia também se provou inimigo das mulheres e da população LGBT ao se pronunciar contra o casamento igualitário e a adoção de crianças por casais homo-afetivos, reforçando a ideia limitada de que família é a união entre homem e mulher e reafirmando a absurda ligação entre Estado e Igreja.

“Eu sou contra o casamento gay, mas a favor da união civil. Sou contra a adoção [de crianças por casais homoafetivos]. É uma posição minha”.

São esses temas que levam a que sua candidatura tenha sido tão simpática à agenda do PSL, que detém a segunda maior bancada do Congresso, perdendo apenas para o PT, e que decidiu unanimemente apoiar a candidatura de Maia a presidência da casa porque sabe que ele pode ser decisivo para articular o congresso na principal agenda do partido, que é a reforma da previdência. A votação
acontece hoje (01/02) e dá lançamento aos trabalhos do Congresso. A articulação entre sua decisão em aprovar a reforma da previdência e sua posição reacionária nos direitos das mulheres e LGBTs fazem que Maia seja apoiado também por outros deputados ajustadores das bancadas de centro direita do DEM, REDE.

A aposta em Maia vem de sua experiência na aprovação da reforma trabalhista, papel chave que cumpriu após o golpe institucional orquestrado pelo autoritarismo judiciário. Essa sua articulação passada leva o PSL a confiar que ele pode ser chave para a aprovação da reforma da previdência. Junto com a lei de terceirização irrestrita, Maia mostrou que está mais do que disposto a rifar a vida das mulheres para garantir os lucros capitalistas. Juntas, as duas alterações das relações de trabalho aprofundam a já brutal diferença salarial que reina no país entre homens e mulheres, negras e brancas, um quadro terrível de racismo e patriarcado que faz com que as mulheres negras recebam 60% a menos que os homens brancos. Com essas leis, Maia contribuiu para que a maioria dos mortos em Brumadinho fossem trabalhadores terceirizados, provando que a terceirização divide homens e mulheres, humilha essa camada da classe trabalhadora com salários menores e menos direitos, faz viva a memória da escravidão com os negros e negras nos piores postos de trabalho e sujeitos a todo tipo de risco e insalubridade. A terceirização escraviza, humilha, divide e mata, e Maia está disposto a que mate ainda mais para que sejamos nós, e não os capitalistas, que paguem pela crise.

Já no Senado, Renan Calheiros se provou “melhor aluno de Sarney” para Paulo Guedes, pela sua capacidade de mudar o discurso e se submeter às alianças mais escusas para atingir objetivos políticos. Para estar sempre “do lado certo” e nunca pagar o preço de ser oposição, Calheiros já se pronunciou a favor da legalização do aborto, contra a reforma trabalhista, mas nunca em nome dos direitos das mulheres, das negras, das e dos trabalhadores. Falava em seu próprio nome. Tanto que agora se alia com essa extrema direita nojenta para aprovar a mãe de todas as reformas que é a reforma da previdência. Dizendo estar em sua versão “liberal”, Renan vinha acenando a Bolsonaro desde o começo do ano e está 100% disposto a tocar a agenda de contrarreformas para conseguir apoio do governo. Onyx, da Casa Civil, e outro aliados de Bolsonaro, não confiam no senador alagoano, de modo que o apoio a sua candidatura é ainda incerto.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse que seu partido deverá apoiar Renan, alegando que ele seria um aliado na luta contra as reformas. Nada mais falso que isso, o PT dedicará seus votos (tão estimados para a sua estratégia de “oposição” parlamentar) para eleger aquele que tem as piores intenções de avançar a Reforma da Previdência e de aliar-se ao governo. A velha conciliação de classes do PT deixa claro que seu discurso de "resistência" aos ataques econômicos é apenas isso, discurso para enganar os trabalhadores.

A verdadeira essência dessa política petista se resume a uma divisão de tarefas entre seus parlamentares e os sindicatos. Os primeiros, por trás dos discursos, vão deixando as reformas de Bolsonaro passar. Quiseram se aliar aos golpistas do MDB, PP e PTB na Câmara – estes que não quiseram – e agora tentam se aliar novamente com oligarcas como Renan Calheiros no Senado, reconstituindo as mesmas alianças que conduziram ao golpe institucional. Já a burocracia sindical da CUT e da CTB (dirigida pelo PCdoB de Manuela), assim como a burocracia estudantil da UNE, atuam dividindo as fileiras dos trabalhadores e freando sua organização de combate, tendo como objetivo comum permitir que Bolsonaro aplique ataques históricos para que o PT, em 2022, retome a administração do capitalismo neoliberal decadente. É por isso também que essas centrais se furtam de dar o devido combate para que a classe trabalhadora seja sujeito da convocação e construção de uma enorme luta no 8 de março.

O PSOL deveria usar seus cargos parlamentares para impulsionar a luta extra-parlamentar e exigir das centrais um plano de luta sério. Entretanto, sua política é abrir alas a uma "frente ampla para uma Câmara independente" com o PT, e partidos burgueses golpistas como o PSB e a Rede de Marina Silva (que defende ferreamente que Lula siga preso pelo autoritarismo da Lava Jato). Não se pode enfrentar os ajustes separando a atuação no parlamento do impulso à luta de classes extraparlamentar, muito menos com uma frente de partidos junto ao PT e a partidos burgueses.

A única estratégia capaz de frear o avanço da extrema direita, os ajustes do governo e em especial a reforma da previdência é a organização independente da classe trabalhadora, recuperando os sindicatos das mãos dessas burocracias e traçando um plano de lutas que envolva assembleias e comitês de base para que nossa organização seja capaz de mobilizar o conjunto de nossa classe, inclusive aqueles trabalhadores mais precários que são dirigidos pelas máfias sindicais, totalmente atreladas à patronal, que compõem suas siglas junto às centrais golpistas e de direita. Essa mobilização deve construir um programa que ataque os lucros capitalistas, exigindo o não pagamento da dívida pública para que todos tenham aposentadoria, educação, saúde e tantos outros direitos que esse Estado vende ao capital internacional.




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