Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Rodrigo Maia confirma que votação da reforma da previdência ocorrerá em fevereiro

quinta-feira 14 de dezembro de 2017| Edição do dia

Diante da falta de votos e do início do recesso parlamentar, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou nesta quinta-feira, 14, que o início da discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência ficou para 5 de fevereiro e a votação em si começará em 19 de fevereiro, após o carnaval. Maia afirmou que o ideal era que a matéria fosse votada agora, mas que acredita que o tempo ajudará a "esclarecer a sociedade sobre a necessidade da reforma". As ridículas propagandas do governo não têm surtido o efeito esperado, e a ampla rejeição fez com que os deputados, preocupados com a reeleição, não dessem maioria para Temer até o momento, mesmo com todas as medidas para comprar seus votos. Até fevereiro, espera Maia, o governo terá os 308 votos necessários para aprovar a PEC em dois turnos.

Em entrevista coletiva, Maia informou que o relator Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) fará nesta quarta a leitura do substitutivo da PEC no plenário. Maia disse que era difícil também discutir a matéria agora, em fim de ano. E que é importante enfrentar a questão porque, segundo Temer e seus aliados, o atual sistema previdenciário está "inviabilizando o Brasil". O deputado insistiu que, dessa vez, mesmo 2018 sendo ano eleitoral, dá para votar a proposta porque "a crise é grande". Para os capitalistas, a crise é grande, mas nada falam dos trilhões destinados à "bolsa banqueiro" do pagamento da dívida pública, esse sim um buraco sem fundo que consome o orçamento do país.

"Se votar a Previdência em fevereiro, março ou abril, nós teremos condições de tirar esse assunto do processo eleitoral. A sociedade vai querer saber a posição de cada um (candidato). Esse debate vai acontecer", previu. A grande preocupação dos deputados, contudo, é ser visto como um dos responsáveis por destruir a aposentadoria dos trabalhadores brasileiros às vésperas da eleição.

Maia destacou que já havia dito que só marcaria a data quando se sentisse seguro para colocar o tema no plenário. Em suas contas, até fevereiro o governo terá próximo de 320 e 330 votos para aprovar a PEC. Será necessário que continuem os movimentos de distribuição de cargos e dinheiro para comprar os corruptos deputados e seus votos.

Maia negou frustração com o adiamento e disse que o pior é perder, ver derrotada matéria com "impacto positivo". "O frustrante é perder", enfatizou. O deputado reconheceu a falta de votos, mesmo diante dos esforços do governo nas últimas semanas.

Servidores

Rodrigo Maia afirmou que apresentará nesta tarde 99% da emenda aglutinativa, com as alterações que promoveu no texto aprovado na comissão especial. O 1% que falta, disse, será apresentado até fevereiro e se refere a uma regra de transição para servidores públicos que ingressaram até 2003 se aposentarem com salário integral e paridade, ou seja, terem direito aos mesmos reajustes que servidores da ativa. As pequenas concessões no ataque original fazem parte do plano do governo de tentar dividir os trabalhadores e, assim, diminuir o rechaço à reforma. Contudo, o grosso da destruição dos nossos direitos segue intacto no plano da reforma.

Pelo texto aprovado na comissão especial em maio, esses servidores precisariam cumprir as idades mínimas definitivas (65 anos para homens e 62 anos para mulheres) para manterem o direito aos benefícios. Caso contrário, poderiam se aposentar antes, conforme a regra de transição, mas sem os benefícios da integralidade e da paridade. Essa exigência foi introduzida no parecer do deputado baiano e é vista com "bons olhos" pela equipe econômica.

Maia lembrou que defendeu em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, em 14 de novembro, uma regra de transição para servidores. A avaliação dele é de que essa mudança poderá ser feita, pois terá impacto pequeno na economia prevista com a reforma. "Dá para discutir isso, porque o impacto vai ser pequeno", reforçou o parlamentar fluminense nesta quinta-feira. Ou seja, mantém os principais ataques aos trabalhadores.

A ideia do presidente da Câmara é que os servidores não sejam obrigados a cumprir as idades mínimas definitivas, uma absurda regra para que muitos morram sem se aposentar, mas mesmo assim tenham que entregar um "pedágio" de alguns anos pelo direito à integralidade e à paridade. Essa mudança no texto, na visão dele, não teria prejuízo do ponto de vista da economia esperada com a reforma da Previdência.

É fundamental nos organizarmos em todos os locais de trabalho e exigir imediatamente das centrais e sindicatos a construção de uma luta à altura, retomando o caminho das greves, para poder de fato barrar integralmente essa reforma e reverter os ataques da reforma trabalhista.




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