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Rodoviários e estudantes em defesa do transporte público, neste domingo na Redenção!

Neste domingo (19), rodoviários e estudantes de Porto Alegre convocam ação unificada, no Parque da Redenção, a partir das 09h30. Em defesa dos salários, do emprego, contra o aumento da tarifa e o corte de linhas: atacar o lucro dos empresários!

sábado 18 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Rodoviários de diversas empresas de ônibus de Porto Alegre, junto a estudantes independentes e militantes da Faísca, convocam para ação unificada no Parque da Redenção neste domingo. A ação busca mostrar que um transporte público de qualidade passa por atacar o lucro dos empresários. É fundamental unificar esta luta e não cair no discurso do prefeito Nelson Marchezan Jr. e dos empresários do transporte da capital, que buscam dividir os setores que se mobilizam.

Em defesa dos salários e do emprego, contra o aumento da tarifa e o corte de linha: atacar o lucro dos empresários!

O prefeito Marchezan (PSDB), tentando mostrar transparência no transporte público, lançou o site tarifa2017.portoalegre.rs.gov.br. Lá há algumas opções para reduzir o preço da passagem: rodoviários sem reajuste salarial, extinção dos cobradores, que fecharia 3.600 postos de trabalho, atacar isenções a idosos, fim da segunda passagem gratuita. O lucro dos empresários, estimado em R$5,6 milhões mensais, segue intocável.

Mas o "marketing da transparência" não mostra, por exemplo, que as empresas vêm cortando viagens em diversas linhas. A EPTC autorizou isso a partir de março, porém os empresários já fazem. Assim justificam demissões, além de deixar as viagens mais lotadas, enquanto a população mofa nas paradas de ônibus, e desconta a irritação nos motoristas e cobradores. As empresas não divulgam quantas e quais linhas foram cortadas, os horários que constam na internet seguem iguais, mas os ônibus simplesmente não passam.

Além do mais, outro dado que também não aparece no “marketing da transparência” de Marchezan é que cerca de 36 diretores, alguns donos de empresas, recebem salários de cerca de R$ 10 mil, custando um pouco mais de R$ 4 milhões ao ano. E isso entra na conta como se fosse “salário dos rodoviários”. Ao mesmo tempo, sabe-se que as empresas ganham por quilômetro rodado. O que explica então tanto quilômetro rodado nos ônibus expressos, sem passageiros, senão a sede ilimitada de lucro?

Esse transtorno se justifica em um suposto prejuízo que os empresários alegam sem provar nada. Se há prejuízo, por que fizeram tanta questão de manter a concessão na última licitação? Não acreditamos nas planilhas das empresas, nem achamos que uma simples auditoria vai até o fundo da questão. Para isso é necessário que todas as contas sejam de acesso público, todas as notas fiscais, os valores de combustível, a quilometragem rodada, e também que o sigilo bancário das empresas seja quebrado.
Ano passado a isenção milionária foi garantida aos empresários sob justificativa de não aumentar a passagem. Agora solicitaram que a tarifa fosse para R$4,30! Diz a prefeitura que o aumento depende do reajuste salarial dos rodoviários, ainda que entre 1997 e 2016 o salário da categoria tenha crescido 7,3% acima da inflação, enquanto passagem teve aumento real de 78,7%.

Boa parte da categoria de rodoviários teve o plano de saúde ameaçado, pois as empresas não pagaram e os patrões ainda querem reajuste de 115% na coparticipação dos trabalhadores. O plano deveria ser pago pelo valor arrecadado nas propagandas das traseiras dos ônibus. Ao mesmo tempo, oferecem reajuste abaixo da inflação no dissídio coletivo, mas os diretores das empresas têm seus fartos salários garantidos.

O prefeito Marchezan e os empresários querem colocar uns contra os outros. A população que quer um transporte mais barato contra os rodoviários. Os rodoviários, que precisam de um salário melhor, contra a juventude que luta contra o aumento da tarifa. Não podemos cair nessa chantagem. Por isso nós juntamos estudantes, jovens e trabalhadores rodoviários para denunciar o TarifaPoA e o discurso dos empresários e da prefeitura, e dar os primeiros passos nessa unidade tão necessária.

A verdade é que hoje o transporte público serve para enriquecer estes poucos empresários, que fornecem um serviço precário e exploram os trabalhadores. Se o prejuízo que tanto alegam é real, por que todo esse apego? Os rodoviários sabem como operar o sistema. Os trabalhadores têm condição hoje de tocar o sistema sem os patrões. E para que este serviço fundamental sirva realmente às necessidades do conjunto da população trabalhadora, é necessário que seja arrancado das mãos destas empresas e estatizado, com a administração dos rodoviários e dos usuários, mantendo todas as contas abertas e de acesso público.

Trabalhadores rodoviários e estudantes.




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