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Rodoviários de porto alegre chamam ato contra extinção de cobradores nesta segunda

Nesta segunda feira dia 02 de dezembro, às 19h, será tema de audiência pública na Câmara dos Vereadores, o projeto de retirada dos cobradores de ônibus, levado a frente pelo prefeito Marchezan. Quando tira a obrigatoriedade de repor cada cobrador demitido, ele na prática autoriza aos empresários extinguir a função dos cobradores, deixando mais de 3500 trabalhadores abandonados a própria sorte.

segunda-feira 2 de dezembro| Edição do dia

Nesta segunda feira dia 02 de dezembro, às 19h, será tema de audiência pública na Câmara dos Vereadores, o projeto de retirada dos cobradores de ônibus, levado a frente pelo prefeito Marchezan.

Era algo distante para alguns, impossível diziam outros. Mesmo que muitos rodoviários tivessem denunciado, ainda no início de 2017, após Marchezan assumir, que de fato ele governaria para e com os empresários da cidade. Naquele não tão distante 2017, trabalhadores organizaram o que chamaram de mural da vergonha. Um apanhado de fotos que colocados em um painel de fundo preto, formava um grande mural onde os trabalhadores denunciavam as condições da frota, o aumento abusivo das passagens, e as reduções de linhas e horários, que já implicavam em demissões na categoria.

Pois desde lá, o retrocesso no sistema de transporte da capital não diminuiu, ao contrário, ganhou contornos ainda mais assustadores para milhares de pessoas que agora tem seu emprego ameaçado pelo projeto do governo. Marchezan enviou projeto á câmara, onde nem dissimula qual é de fato seu interesse. Quando tira a obrigatoriedade de repor cada cobrador demitido, ele na prática autoriza aos empresários extinguir a função dos cobradores, deixando mais de 3500 trabalhadores abandonados a própria sorte.

Numa porto alegre onde o desemprego se encontra em níveis absurdos, e onde a precarização, a uberização do trabalho tem se tornado prática comum, jogar, mesmo que de forma gradual, 3500 trabalhadores no desemprego, significa uma verdadeira tragédia pra muitas dessas famílias que dependem dessa renda.

O sindicato, que teve sua direção mantida após as eleições deste ano, já vem fechando os olhos pra isso faz tempo. Trabalhadores já denunciavam a retirada gradual dos cobradores em determinadas linhas, e horários aos sábados e domingos.

O argumento de um dos diretores do sindicato chega a ser um desaforo. Em defesa da sua própria omissão, alegava que os trabalhadores nesses casos, estavam em casa com suas famílias, e quem se colocasse contra, na verdade era porque estava defendendo a patronal. Oras, pois era essa patronal que estava já fazendo pequenos laboratórios, tendo em vista o projeto que estava em curso.

Ainda a direção do sindicato, minou desde o primeiro momento a possibilidade de barrar esse projeto, pois dizia através de seus porta vozes nas redes sociais, que tudo estava resolvido e que os cobradores não precisavam se preocupar, porque Marchezan os teria garantido congelar o projeto em alguma gaveta.
A direção do sindicato desde o início tem papel determinante no caos e pânico que se instaura na categoria, porém agora beira o ridículo. Pois tem preferido alimentar rixas e troca de farpas em grupos de ZAP, do que de fato fazer frente a uma unidade da categoria numa frente que tenha como objetivo derrotar Marchezan. Fazem pequenos atos isolados em seus nichos eleitorais, enquanto outro grupo formado por trabalhadores da carris e de diversas outras empresas, tenta se virar pra organizar uma frente que dê combate em defesa dos cobradores e que tem se mobilizado pra buscar alternativas que possam impedir esse projeto de passar na câmara. Estão colhendo assinaturas por toda porto alegre, já chegaram a milhares; inclusive montando barracas na redenção e peregrinando pelos terminais, enquanto seguem convocando a categoria pra lotar a câmara de vereadores nesta segunda feira, 03 de dezembro.

É preciso que se diga, que a categoria vai precisar avançar na mobilização, e mesmo que mantenha a exigência ao sindicato, não deve submeter se às orientações pífias do sindicato.

Marchezan demonstrou estar comprometido com os empresários da cidade e pretende bancar esse enfrentamento pra garantir êxito.
Cabe a categoria desde já engrossar as fileiras de luta e resistência, pensando alternativas para intensificar a luta a medida que for se dando o combate. Não basta atuar na defensiva, dizendo que a função dos cobradores é imprescindível e coisa e tal, isso é o que se faria para convencer a população, mas não serve pra convencer quem está determinado em derrotar os trabalhadores, nem aqueles vereadores comprometidos com o chefe do executivo. É preciso que se tenha como alvo a manutenção de mais de 3500 postos de trabalho, lutar ferozmente sem arredar pé e dizer que nenhuma vaga estará em negociação, sobretudo, num dos momentos de maior desemprego no país e na cidade, apenas para engordar os lucros desses empresários. Empresariado que tem um histórico de décadas de exploração dos trabalhadores e do povo que utiliza transporte na capital. Também um erro recorrente na categoria é negar a política. Enquanto o prefeito atua politicamente, alguns rodoviários insistem em não discutir a política que é de fato importante que seja encarada de frente, pois não há como organizar os trabalhadores dissimulando que a política neoliberal de Marchezan é a mesma que move Eduardo leite e Bolsonaro. Estão certos em desconfiar de partidos e suas figuras, porém não se pode negar a política, agir como se ela fosse distante e não alterasse de forma real, a vida de milhares de pessoas.

Que os empresários paguem pela crise, que demitam os patrões da cidade, que se coloque a gestão nas mãos dos trabalhadores de forma organizada. Que abram a caixa preta da ATP e que a o povo de porto alegre tenha acesso aos reais lucros desses parasitas.

Nós do Esquerda Diário estaremos acompanhando de perto a mobilização da categoria. Marcharemos ao lado dos rodoviários rumo a câmara de vereadores, onde será dado o primeiro combate pra destruir Marchezan e seu intento.

Somos todos cobradores, mas não só isso, somos todos trabalhadores.




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