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RODOVIÁRIOS DE PORTO ALEGRE

Rodoviários de Porto Alegre que já estão com salários cortados poderão receber parcelado

Em meio à pandemia, a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) ameaça pagar salários e direitos parcelados aos rodoviários neste mês de maio. Mais da metade dos trabalhadores já tiveram seus salários reduzidos devido à MP de Bolsonaro. Segundo a estimativa dos empresários mais de 5,5 mil trabalhadores serão prejudicados.

quarta-feira 6 de maio| Edição do dia

Os rodoviários de Porto Alegre estão na linha de frente da pandemia. Diariamente expostos à contaminação, também sofrem com demissões e cortes de salários e jornadas de trabalho. Agora a ATP, associação patronal da capital, com o aval do prefeito Marchezan, vai parcelar os salários daqueles que seguem em serviço, precarizando ainda mais a vida dos trabalhadores. As empresas que não parcelarem salários ameaçam parcelar benefícios.

Os empresários alegam prejuízo devido à redução da demanda por transporte. Na verdade, mesmo antes da pandemia, quando os ônibus rodavam lotados, as empresas já cortavam linhas e demitiam trabalhadores alegando prejuízo e tornando ainda pior o transporte da população. Com a pandemia a Carris, única empresa pública de transporte da capital, vem cobrindo linhas que os empresários tiraram de circulação para proteger seus lucros.

Toda essa alegação de prejuízo jamais é comprovada. As empresas mantêm suas contas em sigilo, submetendo a população e os trabalhadores a cada vez mais precarização. De fato, com a menor circulação de pessoas nas ruas o faturamento certamente caiu. Essa queda não deixa de expor os trabalhadores rodoviários à contaminação. Apenas na última semana passaram a serem fornecidas máscaras para os trabalhadores. Até então viviam em situação de total exposição ao vírus, inclusive com grupos de risco e rodoviários com sintomas sendo obrigados a trabalhar.

Além disso a queda no número de passageiros vem acompanhada pela redução de jornada de trabalho e de salário imposta para mais da metade dos funcionários das empresas. Também o número de veículos em circulação foi drasticamente reduzido, apesar de Marchezan ter liberado a reabertura de uma parte dos comércios, o que significa mais movimento nos ônibus que estão rodando. É preciso que os rodoviários se organizem em cada garagem, votando trabalhadores em comissões de saúde e segurança para fiscalizar as condições de proteção nos ônibus e também organizar as demandas da categoria, lutando contra os ataques patronais e contra as demissões, exigindo que o sindicato rompa com a paralisia atual e encampe as batalhas dos trabalhadores ao invés de ser auxiliar da patronal como ocorre agora.

O fato é que mesmo que os empresários estejam em prejuízo agora, eles lucraram muito durante os últimos anos com uma das tarifas mais altas do país no transporte público, e um serviço extremamente precarizado tanto aos usuários quanto aos rodoviários. É preciso que as empresas abram seus livros de contabilidade para que se saiba a real situação deste serviço essencial na capital do RS. E se há tanto prejuízo assim aos empresários, então eles que saiam. Levem sua ganância e sua sede de lucro, e deixem que os trabalhadores e a população controlem um sistema de transporte 100% estatal.




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