Mundo Operário

PLEBISCITO SUSPEITO

Rodoviários de Porto Alegre denunciam possíveis fraudes na votação do dissídio

Na última sexta (24), o sindicato dos rodoviários de Porto Alegre realizou uma votação em urna nas garagens de ônibus para decidir o dissídio da categoria, depois de ter sido derrotado na assembleia da última quarta (22). Trabalhadores relatam possibilidade de fraudes na votação, além do sindicato ter impedido os rodoviários do turno intermediário e noturno de votar, pois recolheram as urnas antes que eles chegassem às garagens.

sábado 25 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Diversos rodoviários relatam possíveis fraudes, além de um setor enorme da categoria, todo o turno da noite e intermediário, ter sido impedido de votar pois as urnas foram recolhidas antes do horário em que estes trabalhadores poderiam fazê-lo. Na manhã de sexta ocorreu uma manifestação dos trabalhadores reafirmando o NÃO da assembleia.

Conservaremos o anonimato da maioria dos relatos para evitar represálias da patronal.

Adailson, cipeiro da empresa Trevo, relatou: "O sindicato fala em democracia, que o plebiscito seria uma forma de toda a categoria ter condições de votar, mas negou esse direito à todos os corujeiros! Todos os trabalhadores da noite e do turno intermediário não puderam votar. O sindicato disse à imprensa que as urnas ficariam até a madrugada, mas as 18h já divulgavam a contagem de votos! Que democracia é essa em que eu sou impedido de votar?!"

Outro trabalhador da Trevo também afirmou: "O sindicato botou votos a mais na urna pelo SIM. Na cara de pau".

A empresa Sudeste, com o aval do sindicato, apostou na pressão psicológica, segundo relatou um rodoviário: "o gerente de tráfego e de rh ficaram a maior parte do tempo do lado das urnas, psicológico pegou".

Durante o dia na garagem, segundo outro rodoviário que se espantou com o resultado divulgado, o clima era pelo NÃO: "eu não acredito! cheguei na garagem a tarde um imenso eco da galera, que dizia ter votado não."

Segundo trabalhador da empresa Estoril, empresa cujos resultados foram divulgados às 16h, a intimidação foi grande: "estão intimidando o pessoal pro voto não ser secreto, as urnas chegaram sem lacres, uma piada."

"Pedi para ver se a urna estava mesmo vazia quando chegaram e o sindicato não deixou", disse outro rodoviário.

Na Nortran, os trabalhadores também reclamaram das urnas fecharem muito cedo: "a votação foi só até metade da tarde!! fraudeee!"

Na empresa Sopal, a pressão do sindicato para aprovar a proposta dos patrões não foi diferente: "colegas foram forçados a votar sim e mostrar a cédula antes de colocar na urna."

A fiscalização das urnas também não era confiável, segundo um trabalhador da Trevo: "não tinha ninguém fiscalizando, era só o sindicato mesmo.. quando perguntei a dois colegas por que votaram sim, não apresentaram nenhum argumento."

"Quando vi o resultado da urna não acreditei. Muito diferente do que vimos na garagem" relatou outro trabalhador.

Outro trabalhador da Carris comentou que até a cédula de votação era tendenciosa, pois não mostrava o aumento de mais de 50% no valor do plano de saúde: "Essa cédula é extremente tendenciosa! No valor do plano de saúde pq não tem o comparativo?"

Muitos trabalhadores suspeitam de fraudes: "não foi um plebiscito válido, nem cabine pra votação tinha, urnas sem lacres, plebiscito marcado sem o devido tempo de aviso , querem enfiar goela baixo mesmo, auditoria já nesse sindicato."

Estes são alguns dos relatos dos trabalhadores. Convidamos todos os rodoviários e rodoviárias que presenciaram, fotografaram ou filmaram irregularidades a enviar esses relatos ou imagens ao Esquerda Diário para atualizarmos as denúncias.

"A única alternativa que temos no momento é nos organizar em cada garagem, com cada trabalhador revoltado, e lutar!" disse Adailson frente ao resultado do plebiscito.




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