Rodoviários de Juiz de Fora em luta completam mais de 24h de paralisação

Motoristas e cobradores da cidade de Juiz de Fora (MG) paralisaram o serviço de transporte público na manhã da última terça-feira (21) de forma espontânea, motivados pelo não pagamento do ticket alimentação aos 198 funcionários transferidos da empresa de transporte GIL para a ANSAL, mas que depois foram transferidos novamente para a empresa anterior.

quarta-feira 22 de julho| Edição do dia

Foto: Tribuna de Minas

A paralisação já completou mais de 24 horas, com motoristas e cobradores passando a noite dentro dos ônibus estacionados pela cidade, como na Avenida Getúlio Vargas, uma das mais importantes da cidade.

Apesar da tentativa da justiça, mais uma vez, em servir aos interesses dos patrões e, sobretudo, a máfia do transporte de JF, determinando a retomada parcial das atividades, através do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, os trabalhadores seguem firmes dando uma demonstração de força da categoria. Um exemplo muito importante e forte para outros trabalhadores que seguem sendo vítimas de ataques de governos e patrões em todo país.

Os trabalhadores reivindicam direitos elementares e justos, como o pagamento da cesta básica referente ao mês de junho que deveria ter sido paga no último dia 20/07. Assim como o pagamento integral do ticket alimentação, pois além dos 198 funcionários que ainda não receberam, os trabalhadores das empresas VSFL e TUSMIL também vem recebendo de maneira fracionada.

Enquanto os trabalhadores mostram sua força numa paralisação por direitos básicos, sobretudo num momento em que a pandemia toma contornos mais graves no estado de Minas, a patronal segue sem oferecer o mínimo aos funcionários do transporte público. Pelo contrário, longe de acatar as reivindicações dos cobradores e motoristas paralisados, a patronal quer cancelar o fornecimento do ticket alimentação e da cesta básica até o mês de dezembro, enquanto propõe “negociar” apenas em Janeiro de 2021, deixando trabalhadores e suas famílias em uma situação ainda mais degradante frente ao momento ainda mais difícil da pandemia e da crise econômica.

O caminho dessa auto-organização, como também demonstraram os entregadores de aplicativos em várias cidades do país, é parte de mostrar que se os motoristas e cobradores são essenciais, são os únicos que podem atender de fato os interesses da população e devem controlar democraticamente o transporte junto aos usuários, sendo os únicos capazes de colocar suas vidas a frente dos lucros dos patrões que, frente a crescente crise econômica, política e sanitária, buscam descarregar a crise nas costas dos que seguem trabalhando.




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