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Robôs pró-Bolsonaro e perfis fake continuam ativos mesmo pós-eleição, aponta estudo

Embora a atuação de perfis fake e robôs tenha caído significativamente após as eleições, estudo aponta que há ainda uma quantidade acentuada de tais contas nas redes agindo com mensagens favoráveis ao presidente eleito, Jair Bolsonaro e contra seu adversário principal, Fernando Haddad (PT).

sexta-feira 14 de dezembro de 2018| Edição do dia

O levantamento foi feito pela empresa AP/Exata sobre os perfis chamados “perfis de interferência”, ou seja, usuários da rede social que não são pessoas comuns e sim ativistas ou contratados. Os dados foram coletados em 145 cidades brasileiras e apontam que o número de perfis de interferência mencionando Bolsonaro ou termos relacionados a ele caiu 73% entre a semana anterior ao segundo turno (de 22 a 28/10) e a primeira semana de dezembro (de 2 a 9/12). No caso de Haddad e termos ligados ao PT e à esquerda, a queda foi de 94%. Ainda assim, chama a atenção o número significativo de bots ainda citando Bolsonaro: 2.078 contra 382 para Haddad e o PT.

"O fato de ainda estarem em atividade mostra que provavelmente serão usados durante o governo na tentativa de moldar as narrativas e conseguir apoio para determinados temas", diz Sergio Denicoli, diretor de Big Data da AP/Exata. Para o levantamento, a AP/Exata analisou mais de 10 milhões de postagens e 624.827 perfis no Twitter desde maio de 2018.

Como exemplo, podemos usar as postagens de um desses perfis, que agora com a notícia do caso em que o Coaf de(Conselho de Controle de Atividades Financeiras) encontrou movimentação atípica na conta de um ex-assessor do deputado estadual do Rio e senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do futuro presidente, o perfil "Rodrigo 1988" comentou em tuíte: "Tentativa n° 76352 de tentar derrubar alguém próximo do Bolsonaro. Dessa vez um assessor do filho". Tal perfil, criado em outubro, já fez nesse curto espaço de tempo, 3.114 tuítes e deu 9.815 curtidas —algo como 43 tuítes ao dia e 136 curtidas, marca atípica mesmo para usuários muito ativos do Twitter.

Ainda que com tudo tão ás claras, o Twitter questiona esse tipo de pesquisa, afirmando que as empresas não têm acesso a todos os dados disponíveis da rede social e "lamenta que seja dado crédito a um relatório metodologicamente falho, cujos critérios técnicos não conhece".

Em contrapartida, segundo o Pegabot, aplicativo elaborado pelo IT&E (Instituto de Tecnologia e Equidade), o perfil mencionado tem 75% de chance de ser um robô. Usando o sistema, a reportagem da Folha de São Paulo encontrou vários perfis apoiadores de Bolsonaro com índice de probabilidade acima de 70% de serem robôs.

Também à Folha, Thiago Rondon, codiretor doIT&E. afirmou que "a construção de consenso coletivo é o propósito maior onde os bots tentam atuar". Segundo ele, há tanto empresas de comunicação que cultivam as chamadas fazendas de perfis, usando robôs, como militantes que atuam por conta própria. Hoje, é possível comprar aplicativos e gerenciar contas em massa com facilidade.Procurados pela imprensa, os assessores de Bolsonaro não responderam sobre o uso ou não de robôs. O PT afirma que não os utiliza.

Essas, que foram eleições marcadas por fakenews e pelo polêmico uso de robôs, contou também com outro elemento que foi e permanece sendo essencial para que a extrema direita siga avançando. A manipulação do judiciário, que roubou da população o direito de votar em que quisesse, com a prisão arbitrária de Lula, que inclusive hoje, se mostra mais do que nunca, uma das maiores falácias anti-corrupção e que serviu também para garantir que Bolsonaro tivesse o campo aberto para se alçar à presidência e dar continuidade aos profundos ataques de Temer.




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