Sociedade

CRISE CAPITALISTA

Risco duplo para os trabalhadores: fábrica que funcionava em plena pandemia explode em Fortaleza

Moradores do Bairro Vila União em Fortaleza foram despertados na madrugada dessa sexta-feira com forte estrondo, tremor de terra e destruição. Um enorme cilindro de CO2 explodiu na fábrica de refrigerantes Mais Sabor e voou como um foguete por um quarteirão. Por sorte não atingiu prédios próximos e não há registro de mortos. Um funcionário ficou ferido na fábrica. O evento mostra a que ponto a patronal chega na irresponsabilidade com as vidas dos trabalhadores pensando no lucro.

sexta-feira 17 de julho| Edição do dia

Imagens retiradas do G1.com

As imagens de destruição são impressionantes, árvores caídas, destroços de muros e automóveis atingidos. Um motorista de aplicativo que passava no local relata que parecia um avião caindo, seu carro foi atingido por destroços mas ele não se feriu. O cenário que ficou é de guerra, como se a região tivesse sofrido um ataque aéreo.

Os cilindros de gás comprimido são verdadeiras bombas quando manuseados de forma incorreta, exige pessoal treinado e capacitado para operar, a falta de manutenção das válvulas podem fazer o marcador de pressão não indicar corretamente. As causas do incidente serão apuradas, mas não há dúvida que toda a responsabilidade é do patrão.

O evento de destruição ocorrido nessa madrugada em Fortaleza é uma demonstração do quanto vale a vida dos trabalhadores e da população diante da sede de lucro dos capitalistas. Não a toa essa classe exploradora luta diariamente junto a Bolsonaro para reabrir a economia não importando quantos ainda morrerão de COVID-19. Não à toa hoje são quase 77 mil mortes registradas pela pandemia, sem contar casos subnotificados.

Muitas pessoas poderiam ter morrido e se ferido gravemente com esse acidente da Mais Sabor, que caracteriza um verdadeiro crime por parte dos responsáveis e donos da fábrica. Se atingisse um dos diversos prédios residenciais da região poderia ter causado um forte dano estrutural e derrubado o prédio ou parte dele. A questão que fica é: quanto valem nossas vidas no capitalismo? A crise descarregada sobre as costas dos trabalhadores não envolve só demissões, cortes de salário e precarização, envolve diretamente mortes seja por acidente de trabalho, chassinas policiais racistas nas periferias ou pela pandemia.

Pagamos hoje por uma crise que não criamos. Para inverter esse jogo, e fazer com que os capitalistas se responsabilizem pelos seus atos e paguem pela crise que criaram, crise que se intensificou com a pandemia, somente a auto organização da classe trabalhadora em cada local de trabalho e moradia junto da juventude estudantil, futura classe trabalhadora, pode tomar em suas mãos a transformação radical dessa situação. Sem nenhuma confiança nas instituições burguesas como STF, Congresso, nem nos governadores, é possível derrubar Bolsonaro e Mourão e impor pela luta uma Constituinte Livre e Soberana capaz de mudar as regras do jogo e não só os jogadores. Nossas vidas valem mais que os lucros deles!




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