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CRISE DO RIO

Acordo não garante "Rio de antes", que "pagava servidores públicos", diz Maia

Maia acelerou articulações e aprovou, com direito a choro e bajulações de Pezão, acordo de ajuste fiscal de R$ 63 milhões para o RJ. Maia ainda discursou em pról da Reforma da Previdência e das privatizações

terça-feira 5 de setembro| Edição do dia

Depois de alguns dias de articulação nos bastidores, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Presidente da Câmara, e Presidente da República em exercício (já que Temer viajou à China), assinou hoje, ao lado do Governador carioca Fernando Pezão, o acordo de recuperação fiscal do Rio de Janeiro.

Com direito a choro em seu último dia como Presidente em exercício, e com elogios rasgados de Pezão, Maia discursou sobre o acordo para o estado do RJ, que contempla um ajuste fiscal de R$ 63 bilhões até 2020.

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Mesmo com a decidida velocidade de Maia em garantir a assinatura do acordo enquanto ainda estivesse na cadeira de Temer, o Presidente da Câmera ironicamente declarou que não seria só assinar o acordo para os problemas estarem resolvidos, e ainda disse que levaria tempo para que o estado voltasse a ser o “Rio de antes”, “pagando seus servidores públicos”.

O acordo, que não garante nem o pagamento dos salários dos servidores públicos cariocas, baseia sua suposta “solução” para a crise econômica do Rio de Janeiro em precarização ainda maior dos serviços públicos, com cortes de gastos previstos dentro do ajuste de R$ 63 milhões, alem de mais privatizações, como a da Eletrobrás, um dos alvos de Temer em sua viagem à China.

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O pedido de recuperação fiscal foi feito ao Ministério da Fazenda no dia 31 de julho deste ano. Após a homologação do acordo, a dívida do Rio com a União ficará suspensa por três anos, prazo que poderá ser prorrogado por mais três. Nesse período, o estado poderá contrair novos empréstimos. Os detalhes sobre o acordo foram divulgados no início da tarde pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de acordo com informações da Agência Brasil.

Durante a cerimônia, Maia ressaltou o papel desempenhado por ele para articular o acordo, como forma de fazer propaganda política para uma possível candidatura ao governo do Rio de Janeiro em 2018.

Maia reforçou em seu discurso a importância de conseguir implementar a Reforma da Previdência ainda este ano. Para ele, sem aplicar esse brutal ataque aos trabalhadores, os níveis da crise fluminense poderiam se extrapolar para nível nacional. Para o Presidente da Câmara, não há mudança nas finanças do governo que tenham resultado tão efetivo quanto a Reforma. “Temos de resolver o déficit com reformas do Estado Brasileiro, e as privatizações devem acontecer para geram empresas mais eficientes para a sociedade brasileira.” É evidente que nem para Maia nem para a casta de políticos que o cercam, passa pelos horizontes que uma redução salarial de todos os políticos e seus amigos juízes e funcionários de alto escalão, assim como o fim de seus privilégios como vôos gratuitos e afins, teriam efeito impactante - mas que qualquer reforma – nas despesas da União, liberando gastos para Saúde e Educação, que hoje são, por exemplo, as áreas mais afetadas pela crise no Rio de Janeiro.

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