Política

RIO DE JANEIRO

Rio: Enfrentar a direita e os empresários exige criar uma força anticapitalista

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

quinta-feira 13 de outubro| Edição do dia

Uma cidade partida. Rasgada pelo racismo do Estado e suas polícias e justiça que mantém milhares presos acusados de tráfico sem nunca sequer terem sido julgados. Uma cidade montada em cima de forte divisão entre uma minúscula elite, suas empreiteiras, empresas e bancos, e um imenso contingente popular que vai de parcelas bem remuneradas do funcionalismo ao gari, estivador, ao camelô. Essas fortes divisões de classe e raciais estruturam cada ponto de nossas vidas: desde qual transporte temos disponível (BRT lotado e Supervia ou metrô) a também a gritante falta de moradia digna.

A prefeitura, a Câmara de Vereadores e os grandes recursos e projeção política nacional e internacional da antiga capital federal são um ponto de apoio para perpetuação do poder da elite e dos capitalistas na nossa cidade e em todo país. O Rio, junto com São Paulo, são bases para projetos nacionais para a elite. Poderia ser para nós trabalhadores também.

Um ponto de apoio para um projeto político nacional para organizar a força da classe trabalhadora contra aqueles que arrancam a saúde, a educação das próximas gerações (PEC 241), contra os que querem acabar com os recursos nacionais e privatizar a Petrobras, contra os empresários e suas demissões, suas jornadas de 12horas, aumento da idade da aposentadoria e outros modernos sonhos de escravocratas fortalecidos pelo golpe institucional do impeachment.

O Rio pode ser uma alavanca para a luta nacional contra o governo golpista de Temer e seus ataques se uma forte força anticapitalista se desenvolver, a isso dedicamos nossas energias.

Ir além da conciliação petista para o Rio ser ponta de lança da organização contra Temer, a direita e os empresários

Para isso é chave superar a experiência com o PT e sua conciliação com a direita, com os empresários. O PT no Rio conciliou com Cabral, Cunha, Pezão, Dornelles, Crivella, Paes, todos eles foram parte da “base de apoio”. Jandira Feghali que centrou sua campanha contra o golpe, denunciou seus aliados de até ontem, chegou até a ocupar cargos de secretaria com o PMDB. Hoje vivemos o resultado. Essa lição precisa ser apreendida.

A direita, os empresários estão buscando ocupar eleitoralmente o espaço aberto pelos ataques que o PT iniciou e sua desmoralização também paga por ter assumido os mais corruptos métodos de governo dos outros partidos capitalistas. Hoje a direita discute abertamente “Escola sem Partido” e outros projetos reacionários, Crivella e Bolsonaro não hesitam em falar isso na TV. Precisamos de uma grande força de combate pelos direitos democráticos, pelo direito das mulheres, dos LGBT, dos negros.

Isso não vai ser feito repetindo a falsa e enganosa ideia de “governar para todos”. Os interesses do condomínio de luxo na Barra onde Crivella mora, a Península na Barra, não tem nada a ver com um morador de Senador Camará, do Alemão, da Maré.

Freixo não supera a experiência do PT, em vários sentidos se propõe reeditá-la, ao centrar uma parte de seu programa em uma ideia de cidadania que uniria todos. Nossos inimigos e nós. A humanização do caos, da exploração, da desigualdade é impossível. Um engano. O Rio quando havia boom do petróleo, obras, e mega-eventos era terra da desigualdade, o Rio da crise econômica é mais e mais a barbárie para nós enquanto eles se fecham em seus shoppings e condomínios, fazendo até uma triagem de quem pode passar do Rebouças nos ônibus.

Para concretizar um plano de “melhoria na sua vida” como tem sido a campanha de Freixo no segundo turno, tocando em particular a saúde e a educação é necessário enfrentar os capitalistas. Lutar por impostos progressivos às grandes fortunas. Não há como melhorar a saúde e educação, ou qualquer outra mudança de fundo, sem essa e outras medidas que ataquem a propriedade privada. Não há como impor esse programa sem uma força militante, anticapitalista, revolucionária e dos trabalhadores. A isso nos dedicamos nesse segundo turno. Acompanhamos aqueles que confiam sua esperança e vontade de enfrentar a direita e os empresários junto a Freixo, mas chamamos a ir além do voto para construirmos um programa e uma força que possa realmente se enfrentar com os empresários e fazer do Rio um consequente ponto de apoio na luta nacional contra o PMDB, Crivella, Bolsonaro, a Fiesp, Firjan, Temer.




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