Política

Revolta no Haiti: saiba a história das tropas brasileiras do Haiti, instaladas pelo PT, com lideranças no regime Bolsonaro

A nomeação do General Floriano Peixoto Vieira Neto para o cargo do demitido ministro da Secretaria-Geral Bebianno, representa a posse do 8º ministro-militar no governo Bolsonaro e o terceiro ligado ao comando das tropas brasileiras no Haiti.

quarta-feira 20 de fevereiro| Edição do dia

Como resultado imediato da crise do governo em torno da demissão de Bebianno, podemos identificar o fortalecimento das alas militares, com a nomeação do 8º militar entre os ministérios do governo Bolsonaro, o General Floriano Peixoto Vieira Neto. Entretanto, mais detidamente, podemos identificar o fortalecimento de um grupo de militares em específico, o daqueles ligados ao comando das tropas do Brasil no Haiti.

Veja mais:Saiba quem é Floriano Peixoto, o sucessor de Bebianno na Secretário-Geral de Bolsonaro

Três dos oito ministros militares, Augusto Heleno, Carlos Santos Cruz e Floriano Peixoto, tem um histórico ligado a Minustah (Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti). Também serviu por lá o porta-voz, general Otávio do Rêgo Barros.

Para entender a relação entre o fortalecimento desse núcleo ligado ao Haiti e o governo Bolsonaro, primeiro é necessário compreendermos o significado da ocupação do Haiti pelas tropas brasileiras conduzidas durante o governo petista. Durante os 13 anos de ocupação militar, as tropas brasileiras e da Minustah não levaram nada de humanitário ao Haiti. Ao contrário, afogaram em sangue a revolta do povo haitiano que se levantava contra a fome e à miséria provocadas pela opressão e exploração imposta tanto pela burguesia local, mas sobretudo pelo imperialismo naquele país.

As tropas brasileiras, cumpriram um papel auxiliar na manutenção de regimes e governos que atendiam aos interesses do imperialismo. Durante esses 13 anos não levaram mais do que opressão, como obrigar as mulheres haitianas a serem escravas sexuais em troca de comida (denúncia veiculada em diversos periódicos, veja aqui, aqui e aqui, prática comum das tropas de ocupação da ONU*), desrespeitando os mais elementares direitos civis com invasão permanente das residências pelo exército, que também promoveu o desvio e ocultamento de alimentos, como se vê nessa reportagem d’O Globo, assassinatos, proibição de atos e repressão a manifestações políticas, destruição da infraestrutura do país promovendo catástrofes sociais (como o surto de cólera que se seguiu aos estragos do furacão Matthew), entre outras atrocidades.

Veja mais:O brutal legado de opressão das tropas brasileiras nos 13 anos de ocupação do Haiti

Dado o histórico da ocupação das tropas brasileiras no Haiti, agora podemos compreender o vínculo entre os comandantes dessa missão autoritária e repressora e o atual governo Bolsonaro, a quem foi entregue o mesmo tipo de tarefa autoritária e repressora, impor sob a população trabalhadora uma dura agenda econômica de ataques neoliberais. É nesse sentido que Bolsonaro recorre aos comandantes da Minustah, por possuírem o currículo com a experiência necessária para submeter a população de um país aos desígnios do capital estrangeiro.

Portanto, o governo Bolsonaro encontrou nesses militares a bagagem necessária para levar a frente uma nova missão, reprimir a classe trabalhadora do próprio país para a imposição de duros ataques econômicos. E quem propiciou a eles a oportunidade de adquirirem o "know-how" exigido para a função foi o governo petista, em nome de obter um status diplomático maior e pleitear uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, se dispuseram a levar a opressão em nome do imperialismo ao povo do Haiti.




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