Política

ATO DIA 01/04

Reunião do Espaço Unidade de Ação não se posiciona contra o impeachment no ato de 01/04

Declaração de Pablito, diretor do Sindicato dos trabalhadores da USP e Guarnieri- cipista da Linha 1 azul do Metro de SP, pelo MRT.

Felipe Guarnieri

Operador de trem da L1 azul do Metro de SP

Pablito Santos

Executiva Estadual da CSP-Conlutas

quarta-feira 23 de março de 2016| Edição do dia

Participamos, no último dia 21, com uma delegação de trabalhadores e juventude do MRT da reunião do Espaço Unidade de Ação, do qual participa uma série de entidades, movimentos e organizações políticas que buscam construir um campo alternativo diante da conjuntura marcada pela disputa entre o PT e a oposição de direita em torno do impeachment. Apresentamos a posição que defendemos “aqui”.

O principal debate da reunião se sobre a construção do Ato do dia 01 de abril convocado pelo Espaço. Frente à política do PT de colocar Lula como ministro, e assim dar mais governabilidade para Dilma implementar ajustes e avançar em medidas repressivas como a Lei Anti Terror, reafirmamos que não existe saída hoje que passe por defender o PT, Dilma e Lula.

Entretanto afirmamos firmemente, que a conjuntura de hoje não é a mesma de meses atrás, é inegável o fortalecimento da direita em torno da política de impeachment, e principalmente das medidas arbitrárias e manobras reacionárias, a partir da Operação Lava Jato, como punição sem julgamento, gravações publicizadas e a concentração das decisões em figuras como Gilmar Mendes e Sergio Moro, por fora de qualquer mecanismo de controle popular, fortalecendo o judiciário, a polícia federal e as instituições mais autoritárias do regime, o que se voltará contra os trabalhadores, a juventude e o povo pobre.

Por isso, dizemos que foi um grave erro político o Ato manter seu eixo político através da palavra de ordem “Contra Dilma-PT, Cunha, Temer e Renan-PMDB; Aécio/PSDB! Derrotar o ajuste fiscal! Que os ricos paguem pela crise! Por uma alternativa classista dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre!”, sem colocar um posicionamento claro sobre o impeachment. Infelizmente, nossa posição não foi ouvida, se no discurso em pequenas reuniões todos falam contra o impeachment na pratica é bem diferente. Em particular o PSTU , que demonstraram ontem como possuem uma concepção de que a derrubada de Dilma pela via desse mecanismo reacionário levaria a um suposto governo mais frágil e não seria desfavorável para o conjunto dos trabalhadores. Dizendo que ser "contra o impeachment " é igual a “defender o governo".

Uma retórica baixa que não explica a realidade e deixa a bandeira da luta contra o impeachment e medidas arbitrárias e autoritárias do judiciário e da polícia ser sequestrada pelas mãos governismo, que cada vez mais atrai setores honestos de jovens e trabalhadores que não querem ver uma direita reacionária no poder, e se apropria da disposição desses setores para o objetivo petista de conquistar governabilidade para atacar.

Um ato da esquerda que não se delimite do PT, mas também da direita, hierarquizando a luta contra o impeachment, só serve para dar base à política do PSTU de "Fora Todos! Eleições Gerais já", que faz coro com setores burgueses como Marina Silva e a Rede que veem essa saída para restaurar o regime atual.

Nós do MRT consideramos que se essa política se mantém, será um grave erro na conjuntura colocada, e cobrará seu preço, já que não apresentará uma política até o final de independência de classe. Por isso decidimos retirar nossa assinatura da convocação para seguir dando luta política para que o eixo do ato do dia 01 seja alterado, e que até lá possamos avaliar nossa participação crítica.




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