Política

CRISE NO RIO

Reunião de Pezão não deu resultado, e Alerj já tem relator para suas contas

sexta-feira 23 de junho| Edição do dia

Após a declaração e Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que ou o governo Temer auxiliava o Rio ou o impeachment de Pezão iria caminhar na Alerj, a crise política no Rio de Janeiro deu um novo salto. Desgastado politicamente até o último fio de cabelo, e com as contas reprovadas pelos conselheiros interinos do TCE, que substituem quatro conselheiros cassados e delatados pelo próprio presidente do Tribunal, Pezão reuniu-se nesta tarde com representantes do Minitério Público, do Tribunal de Justiça e do Tribunal de Contas do estado.

A reunião, como podemos ver na nota oficial do governo do Estado, parece não ter resultado em nada. Em nota, o governo se compromete a seguir tentando a assinatura do plano de recuperação fiscal com Rodrigo Mais que presidente interino enquanto Temer viaja pelo exterior, e Henrique Meirelles, Ministro da fazenda e idealizador do plano.

Pezão se espreme entre o PMDB de Temer, que tenta a todo custo garantir o máximo de ataques para tentar segurar seu último fio de sustentação, se é que isso ainda lhe resta, e de outro lado o PMDB do Rio de Janeiro que está calculando se ainda conseguirá eleger alguém depois de tantos ataques e com tantos escândalos de corrupção, com suas principais figuras nacionais, Cabral e Cunha, presas.

As contas de Pezão e Dornelles de 2016 que foram rejeitadas já encontraram rapidamente um relator. Será Albertassi, com quem Picciani trocou mensagens em que, dentre outras coisas, afirmava que o Rio já havia dado demais ao governo Federal e que esperava que Albertassi, Líder do PMDB na Alerj, não aproveitasse sua doença para encaminhar o projeto. No site da Alerj, detalha que a Comissão de Orçamento, presidida por Paulo Melo (PMDB), fará Audiência Pública sobre as contas de Pezão na próxima quinta-feira às 10h.

Até lá, veremos como responde Temer ao recado de Picciani: tentará salvar Pezão ou estará muito ocupado com seu próprio processo no STF? Existirá até o próximo semestre o plano de "recuperação" fiscal dos estados, com todos os ataques desde a privatização da CEDAE até o aumento de alíquota dos servidores e a exigência do teto de gastos estadual? Depende de muitas variáveis, incluindo qual será a força da paralisação nacional convocada para o dia 30. Se os trabalhadores entram em cima aproveitando a divisão dos de cima, tudo pode mudar, em especial para os trabalhadores do Rio de Janeiro, os servidores sem receber, os professores com fechamento de turmas, os desempregados e as vítimas da violência policial de todos os dias nas favelas do Rio de Janeiro.

A imprensa burguesa já espalha boatos de todo o tipo para confundir a nossa mobilização, como foi no último período em que deram a sensação de que Temer havia caído, somente para que o governo conseguisse respirar enquanto a televisão e os jornais se esforçavam para manter todos passivos.

Não é diferente agora, quando O Globo noticiava pela manhã que Pezão teria admitido não concluir mandato. Esta notícia, de ontem, foi desmentida ontem mesmo quando o governador disse que se referia à própria saúde, e reafirmou hoje que se mantém. Agora o G1 tendenciosamente diz que os representantes do MP, TJ e TCE que se reuniram com Pezão aceitam "um" teto de gastos (sem especificar qual), coisa que não consta em nada na nota divulgada pelo governo. Da mesma forma que Picciani, apesar dos "fatos alternativos" da imprensa, nunca deixou o cargo, mas apenas se reveza com André Ceciliano, um deputado do PT fiel aliado dos ataques do PMDB, como aliás são todo o PT e o PCdoB que apoiaram Picciani em sua eleição para atacar os trabalhadores da presidência da Alerj.

Não podemos esperar que a crise seja resolvida pelos de cima, como a mídia quer e como algumas direções sindicais tentam fazer, caso do MUSPE que ficou este tempo todo esperando para se reunir com Pezão no dia 22. Pode ser que a próxima vez MUSPE se reúna com outro governador.

É hora de mobilizar as categorias e aproveitar a possibilidade de uma paralisação nacional do dia trinta para os trabalhadores pararem tudo no Rio contra o parcelamento do salário, o ataque aos serviços públicos e o desemprego, pelo não pagamento da dívida pública que saqueia toda semana contas que deveriam ser usadas para saúde educação e pela anulação de todos ataques.




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