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Retweet racista de Donald Trump gera revolta de ativistas por todo o mundo

segunda-feira 29 de junho| Edição do dia

Imagine essa cena distópica: um grupo de manifestantes contrários ao presidente e outro setor favorável. Num dado momento um partidário de Tump grita com o punho erguido "white power", uma expressão utilizada pelos supremacistas brancos dos EUA e de todo o mundo, que significa "poder branco", em tradução literal.

Agora acrescente mais umas pitadas de inacreditável nesta história e imagine o vídeo dessa cena sendo repostada pelo ser humano mais poderoso do planeta em tom de apoio político....

Foi exatamente isso que Donald trump fez neste domingo 28 de junho de 2020. No entanto, logo depois foi obrigado a apagar o tweet devido à repercussão extremamente negativa que o vídeo teve.

Na postagem, Trump escreveu: “Obrigado ao formidável povo de The Villages”, referindo-se à região onde as imagens foram registradas - uma comunidade de aposentados na Flórida, majoritariamente branca e conservadora, uma base eleitoral importante do presidente norte-americano.

Parlamentares, mídias e lutadoras e lutadores de todo o mundo manifestaram a sua indignação frente ao retweet

Não é de se estranhar que diante do mais massivo levante antirracista da história do movimento negro americano, o racista na Casa Branca simplesmente não consiga se conter, ou sequer parecer uma figura neutra ou imparcial, como preconiza o "mito fundador" da democracia burguesa norte-americana. Mais uma vez a máscara do regime escapole, e dessa vez parece que temos milhões de olhos capazes de enxergar.

Uma estratégia de campanha?

A representante de imprensa do governo Trump, Judd Deere, veio com a desculpa esfarrapada de que o presidente simplesmente não ouviu as ridículas palavras do supremacista. É difícil acreditar nesta versão, uma vez que vem sendo possível notar uma radicalização do discurso de Trump, demonstrando uma perspectiva eleitoral bem definida de nichar no público mais racista. Logo depois do ocorrido, o presidente postou uma frase emblemática, que corrobora esta tese, dizendo que a ’’maioria silenciosa segue bem e viva’’, numa provável alusão à estratégia de comunicação política do ex-presidente norte-americano Nixon, que buscava insuflar o ódio branco da "maioria silenciosa" contra uma suposta "minoria barulhenta" que gritava por direitos civis nos anos 60.

É fundamental derrotar Trump e construir uma alternativa antirracista e anticapitalista para além do Partido Democrata

As impressionantes manifestações negras que ocorreram nos EUA e que tiveram impacto por todo o mundo não podem ser encaradas como um evento de pouca importância. Elas podem derrotar o projeto racista de Trump, e mais, podem ser o caminho para um projeto anticapitalista e revolucionário.

Embora ainda sejam incertos tanto os efeitos de médio quanto os efeitos de longo prazo que essas lutas terão, não se pode perder de vista que é um processo de luta que ocorre bem no coração do imperialismo, e que consegue questionar muito dos mitos fundadores da sociedade norte-americana. Em grande medida, coloca em dúvida algumas crenças basilares da própria democracia burguesa como um todo. Vemos entre os manifestantes uma parte de jovens que foram protagonistas e líderes essenciais em greves anteriores contra o trabalho precário em grandes empresas como a Amazon, Uber, Rappi etc - gente que tem lições importantes tiradas da luta de classes.

Só por tudo isso já é um dos eventos mais importantes do início da década

Nesse sentido, é fundamental pensar se o resultado desse enfrentamento a Donald Trump e sua política racista não será transformado em mero capital eleitoral para o Partido Democrata que, como comprovamos por todo o século XIX, XX e XXI, é também racista, imperialista e xenófobo. É preciso superar esse partido. É interessante relembrar que quando estes estiveram no poder nem sequer tremeram a mão na hora de atacar a classe trabalhadora, o povo negro e os diversos povos não brancos de todo o mundo. Portanto não devem ser encarados como aliados, pois no contexto dessas lutas, seus líderes atuam, mais uma vez, como verdadeiros bombeiros da luta de classes e se esforçam pra tentar dar uma saída meramente institucional e eleitoreira para esse movimento vivo cheio de potencial transformador.

Também é importante ter em mente que as eleições que ocorrerão nos Estados Unidos no próximo semestre serão em grande medida um termômetro de todo o processo. Como diria Trótski "as eleições são um reflexo distorcido da realidade". Mas além disso, as eleições nos EUA em 2020 terão dimensões internacionais. Na vida pública brasileira, por exemplo, nem é preciso mencionar o quanto serão enormes os efeitos.

Não é possível que no dia que comemoramos a Revolta de Stonewall, uma luta marcada pela unidade de LGBTs não brancas contra a opressão racista e LGBTfóbica da polícia, a gente tenha que aceitar as atrocidades ideológicas de Donald Trump em seu Twitter. Stonewall e a fúria negra mostram o caminho!




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