Política

Retrospectiva 2016: as provas e convicções da Lava Jato foram testadas

No longo e intenso ano de 2016 um ator fundamental da situação política nacional foi a Lava Jato. Suas oscilações, seletividade entre “provas e convicções” deram o tom de algumas das mais convulsivas conjunturas que vivemos. Nesta retrospectiva relembramos alguns momentos da Lava Jato esse ano bem como relembramos algumas provas que nós coletamos para mostrar que suas convicções se ligam a interesses imperialistas em nosso país.

segunda-feira 26 de dezembro de 2016| Edição do dia

A Lava Jato deu diferentes caras de suas "provas" e "convicções" durante o ano. A operação esteve marcado por três momentos esse ano: um primeiro onde todo o foco de sua ação era ajudar no golpe institucional do impeachment, um segundo momento de coleta de “provas” mas com pouca “convicção” para cima de outros partidos e agora, em um terceiro momento junto ao Ministério Público uma tentativa até o momento frustrada de tentar avançar a um cenário “Mãos Limpas” – para abrir caminho a novas figuras políticas e abrir uma gigantesca ofensiva privatizante. Relembre alguns casos e nossas análises e críticas.

As convicções a favor do golpe

Iniciada em 2014 a Lava Jato deu um salto de qualidade no ano de 2016. Nas vésperas do impeachment, o flagrante desrespeito à constituição e nos seus métodos repressivo enquanto se abria uma dicotomia se Lula viraria um super-ministro de Dilma ou se Dilma seria deposta Trabalhando pelo segundo cenário, Sérgio Moro ordenou a condução coercitiva de Lula em 04 de março, acelerando o desfecho da crise. Em 16 de março, quando Dilma o nomeava ministro, Sérgio Moro não hesitou em divulgar um áudio ilegal de conversa de Lula com a então presidente da República. No começo criticado pelo STF por esta medida, o fato consumado se impôs, Gilmar Mendes impediu a posse de Lula e a combinação de fatores, o mais importante sendo a não resistência por parte da CUT e CTB que seguiram a orientação de Lula de “não incendiar o país” e não organizarem uma verdadeira resistência ao golpe, o impeachment.

Nessa primeira fase a Lava Jato, mesmo que dando alguns sinais de que poderia se voltar contra outros atores políticos, por exemplo coletando intermináveis citações sobre Aécio, atuou sistematicamente como parte do golpe. Cunha foi indiciado e sofreu o peso da operação somente depois de aprovado o impeachment na Câmara, uma operação que o Esquerda Diário analisou na época como uma tentativa "limpar o golpe", tentando dar uma cara de imparcial à operação

A lista da Odebrecht, diferente das gravações de Lula foram rapidamente colocadas sob sigilo por Moro. Mesmo com essa evidente cara de força funcional ao golpe para colocar Temer e extensa turma tucana para acelerar os ataques não faltaram figuras na esquerda a apoiar a Lava Jato, já no começo do ano criticávamos isso

A pausa da Lava Jato no pós-golpe

Houve diversas operações da Lava Jato entre abril e setembro, período que se consolidava o golpe institucional. Entre elas aconteceu o patético caso das “não temos provas mas temos convicções” e do famoso powerpoint de Dallagnol. do Com primeiras mostras de que iria para cima do PMDB, como no vazamento das gravações de Renan Calheiros, Jucá e Sarney com Sérgio Machado, logo a operação foi para um lugar mais subterrâneo, guardando provas mas sem “grandes convicções” nem contra o PMDB nem muito menos contra o PSDB. Foi nesse período que o ministro da justiça Moraes chegou a anunciar uma operação antes dela ocorrer, tendo como alvo Palocci há poucos dias do pleito municipal mostrava o rabo preso com o tucanato.

Foi também o período do MPF começar a preparar sua ofensiva para a apresentação de suas repressivas 10 medidas supostamente em combate à corrupção. Essas repressivas medidas, entre elas o fim do habeas corpus, foram novamente elogiadas pelas mesmas correntes da esquerda que apoiavam o golpe institucional. Essa polêmica envolvendo Luciana Genro, ex-candidata a presidência do PSOL motivou centenas de postagem de advogados e juristas e o Esquerda Diário também escreveu uma crítica.

Tentando tirar lições da Mãos Limpas italiana o MPF e Sérgio Moro tentaram consolidar e avançar na correlação de forças a seu favor. Sem sucesso foram desafiados por Renan Calheiros e parte da casta política abrindo as indefinições de uma terceira fase da operação e novas indefinições da crise política.

Lava Jato ensaia uma postura independente da “casta política” mas segue mostrando seus laços tucanos, e sobretudo com o imperialismo

Nesta terceira fase a Lava Jato e o MPF, em conflito aberto com o legislativo, buscaram se mostrar independentes da “casta política”, porém não faltam sorrisos e selfies com Aécio, bem como após um primeiro vazamento de delação da Odebrecht expondo tucanos e toda cúpula do governo Temer, inclusive ele mesmo, a Lava Jato aceitou conduzir a operação em silêncio, os vazamentos sumiram.

Os “rabos presos” da Lava Jato não alcançam somente o PSDB, mas sobretudo o imperialismo. Diversas opiniões dão conta desse complexo debate, além de nossas opiniões publicamos uma entrevista com Samuel Pinheiro, ex-ministro de Lula que afirmou que a operação seria tucana

No começo do ano (em artigos que foram atualizados posteriormente) mostrávamos como a Lava Jato não investigava as empresas imperialistas que apareciam nos escândalos de corrupção, mostrávamos também, como o Departamento de Estado americano (e o de justiça) haviam treinado Sérgio Moro e agentes do judiciário brasileiro, as testemunhas declararam não poder fornecer informações de qual seria a cooperação com as autoridades americanas a apresentar as conexões internacionais da delação da Odebrecht.

Veremos nos próximos meses se a “República de Curitiba” conseguirá avançar nos seus planos de “Mãos Limpas” ou se a “casta política” conseguirá impor um pacto de impunidade. Em um ou outro cenário algo já é garantido, a operação ajudará a abrir caminho às empresas estrangeiras em nosso país e na América do Sul, bem como os promotores e juízes de Curitiba poderão se enriquecer com as delações e acordos de leniência, os empresários milionários tendo garantido algumas delações usadas com as provas e convicções que politicamente convirem a Lava Jato poderão, como em todos os casos, voltarem felizes e contentes para suas mansões.

O real combate à corrupção não estará nos próximos capítulos da Lava Jato, mas seguramente, o embate sobre os seus rumos marcará importantes aspectos do ano de 2017.




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